0
0
0
s2sdefault

José Eugenio Soares, mais conhecido como Jô Soares ou apenas Jô, é carioca, filho de empresário paraibano e dona de casa, poliglota, humorista, apresentador de televisão, escritor, artista plástico, dramaturgo, produtor, diretor teatral, músico e ator brasileiro. Preste a completar 75 anos no dia 16 de janeiro, Jô é o homenageado desta semana no Jornal de Teatro.

Filho único do casal Orlando Soares e Mercedes Leal, Jô tinha o sonho de ser diplomata e viveu até a adolescência nos Estados Unidos e na Europa. Voltou ao Brasil quando seu pai foi à falência e, do anexo do Copacabana Palace, ele foi morar em um quarto alugado na Prado Júnior, enquanto seus pais moravam em um apartamento emprestado.

Com senso de humor extrovertido herdado da mãe, o multimídia tem do pai o humor introvertido. Sua carreira artística começou quando o dramaturgo Silveira Sampaio o apresentou a Adolfo Celi, na época marido de Tônia Carrero.

A convite de Adolfo, Jô começou escrevendo textos de teleteatro e eventualmente atuando no programa "TV Mistério", da TV Rio. Sua primeira experiência foi logo contracenando com Paulo Autran.

Logo tornou-se roteirista do programa Câmera Um, da TV Tupi e em 1959, já entrevistava e fazia graça nos programas Jô, o Repórter e Entrevistas Absurdas, veiculados pela TV Continental, no Rio. Participou de O Riso é o Limite, na TV Rio. Em 1960, seguiu para São Paulo, onde fez brilhante carreira como redator de TV (Show a dois, Três é demais) e ator e humorista (Cine Jô", La Revue Chic, Rifi-7, 7 Belo Show, Jô Show, Praça da Alegria, Quadra de Ases). Destaque para a atuação de Jô Soares como entrevistador internacional do Programa Silveira Sampaio, em 1963 e 1964.



A fama nacional como comediante veio em 1967, quando estreou como o mordomo Gordon da Família Trapo, programa que também ajudava a escrever. Na TV Globo, firmou seu sucesso nos humorísticos "Faça o humor, não faça a guerra" (1970), Satiricon (1973), "O planeta dos homens" (1976) e "Viva o Gordo" (1981).

No teatro, estreia como ator, em 1959, em "O Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna. Durante sua carreira atua em várias peças, como "Oscar" (1961), de Claude Magnier, com Cacilda Becker e Walmor Chagas.

Como diretor, assina as montagens de "Soraia, Posto 2" (1960), de Pedro Bloch; "Os Sete Gatinhos" (1961), de Nelson Rodrigues, lançada como o título "A Última Virgem", por sugestão do próprio dramaturgo; "O Casamento do Sr. Mississipi" (1967), de Dürrenmatt; "Romeu e Julieta" (1969), de William Shakespeare, com Regina Duarte; "Brasil da Censura a Abertura" (1980), de Sebastião Nery; "O Estranho Casal" (1967), de Neil Simon; "Oh, Carol" (1975), de José Antônio de Souza; "Frankensteins" (2002), do escritor cubano Eduardo Manet; "Ricardo III" (2006), de Shakespeare, pela qual ganha o Prêmio Qualidade Brasil de direção; "Às Favas com os Escrúpulos" (2007), de Juca de Oliveira; "O Eclipse" (2008), de Jandira Martini; "A Cabra ou Quem é Sylvia?" (2008), de Edward Albee; “O Libertino” (2012) versão adaptada por ele mesmo para o texto do dramaturgo Eric-Emmanuel Schmitt; e “Atreva-se” (2012), de Maurício Guilherme.

“Atreva-se” estreia temporada em solo carioca este mês no Teatro do Leblon, de quinta à sábado, às 21h e domingo às 20h, e fica em cartaz até o dia 31 de março.

Jô Soares é criador de personagens históricos que preenchem uma extensa lista, como Bô Francineide, Gardelon, irmão Carmelo, Norminha, Capitão Gay, etc. Os bordões que caíram na boca do povo também são inúmeros: "tem pai que é cego", "cala a boca, Batista", "muy amigo", "a ignorância da juventude é um espanto", "vai pra casa, Padilha".

É autor dos livros O Astronauta Sem Regime (1985), Humor Nos Tempos do Collor (1992), com Luis Fernando Veríssimo e Millôr Fernandes, A Copa Que Ninguém Viu e a Que Não Queremos Lembrar (1994), com Armando Nogueira e Roberto Muylaert, O Xangô de Baker Street (1995), O Homem que Matou Getúlio Vargas (1998), Assassinatos na Academia Brasileira de Letras (2005) e As Esganadas (2011).

Desde 2000 mantém na rede Globo seu talk-show Programa do Jô e já foi reconhecido por vários jornais, inclusive o americano The New York Times, que o descreveu como “o apresentador do programa de entrevistas mais importante do Brasil, mas esse formato jamais foi o suficiente para conter um talento tão grande quanto seu tamanho”.