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Por Leonardo Serafim

A preocupação com a iluminação no teatro é antiga. No teatro grego, onde a luz era exclusivamente natural, os espetáculos iniciavam com o nascer do sol e, às vezes, avançavam à noite. Utilizando da criatividade, esses profissionais buscavam sempre locais com luzes abundantes e auxílio do fogo para fazer suas produções.
História bem diferente nos tempos atuais. “Hoje a iluminação faz toda a diferença. Pode ajudar a compor um bom cenário. Pode dar ênfase a uma atuação e é tão importante para uma apresentação quanto os atores. É uma ferramenta de auxilio que, por instantes, pode virar protagonista de um espetáculo.”
Quem afirma é a iluminadora Claudia de Bem. Com uma longa carreira na frente e atrás dos palcos, ela, a convite do Teatro de Arena, em Porto Alegre, ministrou o curso Pintando em Cena, que tem como objetivo estimular a criatividade e a sensibilidade do artista na concepção do desenho de luz de uma peça, abordando conceitos e sistemáticas importantes para sua criação e execução.
Destinado a diretores, atores, técnicos de iluminação e demais interessados, a oficina foi uma oportunidade para novos talentos surgirem nos palcos gaúchos, como frisa a iluminadora. “A intenção do curso é desenvolver a imaginação dos alunos. Ajudá-los a ganhar uma percepção diferente, que possa incrementar um espetáculo. Hoje, se um diretor sabe trabalhar com a luz e tem um bom iluminador o céu é o limite.”
Mas não basta apenas ter criatividade para ser um iluminador. É preciso mais. O conhecimento técnico é indispensável para um bom profissional da área. Saber lidar com equipamentos dos mais básicos aos mais sofisticados, ter noção de ângulo para os refletores, conhecer minuciosamente uma cabine de controle fazem a diferença em um espetáculo. “Se a peça é mais dramática, você utiliza uma velocidade x na cena. Se o ator está em evidência, pode-se baixar ou aumentar a luz. Tudo isso é faz parte do aprendizado técnico”, garante o iluminador Sergio Oliveira.
Para quem quer seguir no ramo da iluminação teatral, Claudia de Bem aconselha duas coisas: dedicação e paixão. “Comecei a trabalhar com luz por interesse próprio. Sempre gostei e fui atrás. Fiz assistência para um amigo e depois nunca mais parei. Para aqueles que querem trabalhar na área, é preciso disposição e realmente sentir prazer no que está fazendo”, disse.