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Por Dominique Belbenoit

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Criada em 2003, a Cooperativa Brasiliense de Teatro tem, hoje, pouco mais de 100 associados, entre eles, artistas, técnicos de teatro e circo, diretores e vários outros envolvidos nesse segmento. A presidente, Laura Cavalheiro, conta que os objetivos da associação são representar a categoria, gerar emprego e favorecer a democratização do acesso ao teatro. A cooperativa teve um início pré-determinado, conta a presidente, que assumiu o cargo há quatro anos. "Ela foi fundada há seis anos por um grupo de sete companhias de teatro", revela Laura.
Movidos pela paixão às artes cênicas, estas e outras companhias sentiram a necessidade de uma instituição que representasse a categoria e defendesse os interesses comuns. Os sete grupos, compostos de 28 artistas e diretores, resolveram sair às ruas para divulgar seus trabalhos. "Eles criaram o projeto Teatro em Movimento, cujo objetivo era oferecer, durante um período de quatro meses, oficinas teatrais gratuitas em dez cidades satélites. Os próprios alunos montavam e apresentavam suas peças. No total, foram 110 peças apresentadas nessas cidades e no plano piloto", conta a veterana do teatro.
Com isso, os grupos conseguiram mais visibilidade e despertaram o interesse de empresas públicas e privadas para eventuais patrocínios. "O objetivo principal foi a criação de um espaço destinado à categoria, no qual se pudesse fomentar as atividades teatrais em Brasília, formar um público, aprimorar artistas e, principalmente, realizar ações que pudessem contribuir com o desenvolvimento sócio-cultural da comunidade", diz a presidente, que já está em seu segundo mandato.

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A cooperativa atua junto a Fóruns de Cultura, de Teatro e ao Fórum de Circo do Distrito Federal. Para fazer parte dessa iniciativa não é difícil. Basta obter o registro na Delegacia Regional do Trabalho e se inscrever na cooperativa. "Só temos profissionais com diploma ou atestado de capacitação dado pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos". O sustento financeiro da instituição é oriundo dos próprios cooperados, que pagam meio salário mínimo por ano dividido em 12 meses.
O teatro não é o único segmento que faz parte da cooperativa brasiliense. Segundo Laura, existe, também, um núcleo de circo, cuja demanda de projetos aumenta cada vez mais. Prova disso é o projeto de palhaços Doutoras Música e Risos, criado, no ano passado, pela artista especializada em teatro e circo, Antônia Vilarinho. "Começamos como voluntários, nesse projeto, mas, felizmente, conseguimos um patrocínio da Petrobras para este semestre", revela a criadora.
O projeto consiste em levar alegria para os hospitais do Distrito Federal. As "consultas" são feitas por um grupo de doutoras bem diferentes. Elas chegam cada uma com um estetoscópio e trazem, também, instrumentos pouco usuais no ambiente hospitalar: viola caipira, violão, bongô, cavaquinho, triângulo. No final das contas, a cura é trazida pelo bom humor. Crianças e adultos são cuidadosamente "examinados" pelas doutoras palhaças Fronha (Antonia Vilarinho), Matusquela (Manuela Castelo Branco), Berruga (Elisa Carneiro) e Savana (Karinne Ribeiro) fazendo graça, palhaçadas e tocando bastante música.
"É um tipo de projeto que não poderia ter saído do papel se não fosse a cooperativa. Ela nos dá mais visibilidade e consolidação. Brasília não é fácil para a classe, por isso, é importante fazer parte de uma associação como esta. Eu também lutei pela criação desta cooperativa, mas outras companhias teatrais tentaram criar algo semelhante antes de nós e falharam", revela.