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Adriano Fanti sabe muito bem e dá dicas de como se preparar para os testes. Luciana Chama também resolveu aconselhar nossos leitores, com experiências (muito) bem-sucedidas de como se agradar um fã. Acompanhe!

We Love all access!

Luciana Chama - Los Angeles

A obsessão americana em agradar aos fãs é fator de primeira instância nos negócios do entretenimento. Afinal, quem paga o ingresso somos nós, audiência. Ideias e incentivos cada vez mais substanciosos e inusitados dão a regra no direcionamento do mercado (e o atendimento ao cliente é o primeiro departamento a ser remodelado e investido nas grandes empresas). A era dos atendentes de telefone robóticos e insensíveis acabou. Novas empresas especializadas em lidar diretamente com o público tem surgido e dado o que falar em Hollywood. Duas delas me chamaram mais atenção, até por serem pioneiras no assunto:
I Love All Access: empresa dedicada a prover pacotes exclusivos para shows aos fãs “de carteirinha”. O intuito é proporcionar ao fã uma experiência inesquecível, com a possibilidade de arrematar os melhores assentos disponíveis, merchandising exclusiva, tratamento VIP e acesso sem precedentes aos seus artistas favoritos. O atendimento ao publico é impecável: a empresa não possui um número grande de funcionários e todos no escritório lidam com os telefonemas. O merchandising (camisetas, canecas, bonés, chaveiros e afins), credenciais VIP de acesso ao backstage, convite para festa pós-show com os artistas, tudo preparado com muito cuidado e enviado aos clientes pelo correio (já passei muitas tardes ajudando a galera a dobrar camiseta). Serviço paralelo ao sistema de venda de ingressos (operado pela Ticketmaster), o I Love All Access é a melhor alternativa para o fã ter um acesso diferente e mais próximo ao seu ídolo e ao seu rock’n’roll life style. A empresa agora promete expandir horizontes e aposta suas fichas na área teatral.
Fan Manager: Shakira, Depeche Mode, Paul Oakenfold e The Doors são apenas alguns dos clientes dessa nova empresa californiana que se dedica exclusivamente a colecionar e administrar fãs. Fazendo um bom uso da nova geração de instrumentos tecnológicos, a companhia – que é especializada em marketing do entretenimento – arrumou uma maneira de engajar os fãs apaixonados a ajudar a aumentar e fomentar o fã-clube do seu artista favorito. Utilizando-se principalmente do marketing viral e social media como ferramentas principais do seu negócio, a Fan Manager já é famosa por produzir resultados rápidos, com um investimento inicial nas comunidades online, “street teams” e fanbase.
Ideias novas e adaptáveis aos outros campos da indústria das artes – para bom entendedor...
Vai lá: www.iloveallaccess.com ; www.fanmanager.net.

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Comédia musical de final de
ano volta à Broadway
A comédia musical “White Christmas” retornará à Broadway, dia 13 de novembro, e ficará em cartaz até 3 de janeiro, em sua segunda temporada consecutiva, no Marquis Theatre. Serão 61 performances até os primeiros dias de 2010. O espetáculo foi nominado aos prêmios Tony, pela coreografia de Randy Skinner, e orquestra de Larry Blank.
O elenco ainda não foi anunciado, mas serão mais de 40 artistas e 25 músicos, em uma produção de grandes proporções. “White Christmas” tem produção de Kevin McCollum, John Gore, Tom McGrath, Paul Blake, The Producing Office, Dan Markley, Sonny Everett e Broadway Across America em associação com a Paramount Pictures.
Além da temporada na Broadway, os produtores anunciaram que o musical viajará por outras sete cidades. Os ingressos começam a ser vendidos no dia 12 de setembro pela internet no www.bestofbroadway.com.

Musical “Ella”, em Minneapolis,
estende sua temporada
Para atender a demanda do público, o bem sucedido espetáculo musical “Ella” estenderá sua temporada no Guthrie Theater, em Minneapolis. Serão 12 novas apresentações que seguem até o dia 20 de setembro.
A história, que retrata a vida da lendária cantora de jazz Ella Fitzgerald, tem no papel principal a atriz Tina Fabrique, que com sensibilidade apresenta a personalidade da encantadora vocalista. Na peça, amantes da música vão poder escutar alguns dos maiores sucessos de Fitzgerald como “A-Tisket, A-Tasket,” ‘’How High the Moon” e “They Can’t Take That Away From Me”.
A direção de “Ella” fica por conta de Rob Ruggiero e a supervisão musical é de Danny Holgate. Os ingressos variam de US$ 34 a US$ 65, para mais informações: www.guthrietheater.org.

“Too Close to the Sun” conta os
últimos anos da vida de Hemingway
O escritor e vencedor do Prêmio Nobel, Ernest Hemingway, ganhou vida nos palcos londrinos. O espetáculo musical de ficção “Too Close to the Sun” retrata o sofrimento do escritor quando chega a sua velhice, sua relação com sua mulher, sua secretária e com um amigo de infância, Rex.
O musical está sendo apresentado no West End’s Comedy Theater, com música de John Robinson, livreto por Robert Trippini e letra de Robinson e Trippini. A direção musical é de Tom Deering.
No elenco, como o famoso escritor, está o ator James Graeme, a atriz Helen Dallimore faz o papel de Mary Hemingway e o amigo Rex De Havilland é interpretado por Jay Benedict.
Para saber mais sobre o espetáculo, o site oficial da produção é www.tooclose.co.uk/.

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Em meados dos anos 1990, o Théâtre de Complicité trouxe um espetáculo que demonstra a transformação da memória em fábula


Quando a terceira vida de Lucie Cabrol se torna eterna, o bosque se incendeia e Jean sobe para se redimir, a alma escapa irremediavelmente em um suspiro. Ainda hoje, tanto tempo depois, se pensa em Lucie Cabrol e essa sensação impetuosa percorre espinha abaixo de forma gelada e se sente que Lucie Cabrol (tão horrível, teimosa e fabulosa), está tão perto que se escorre as mãos, delicadas e contundentes, como um sonho.
“As Três Vidas de Lucie Cabrol” foi apresentado na sala Martín Coronado, do Teatro Municipal General San Martín, entre 16 e 25 de agosto de 1996. Baseada em um relato de John Berger publicado em seu livro, “Puerca Tierra”, adaptada por Simon McBurney, Théâtre de Complicité, a peça conta a vida, a morte e a pós-vida de uma camponesa francesa, nascida em 1900, uma mulher quase anã, muito feia, rejeitada, lúcida ao extremo e a percepção que sua imagem deixou nos outros, sobretudo em Jean, o homem com quem fez amor uma só e definitiva vez.
Assim contado, pareceria uma história comum da literatura naturalista ou de certos filmes de temática social, mas “As Três Vidas de Lucie Cabrol” dificilmente pode ser definida em uma categoria: há terra no cenário. Terra molhada, cujo cheiro impregna o ambiente, e o ambiente deixa de ser um teatro, e o teatro deixa de ser uma mera representação.
Os homens são as tábuas dos estábulos e as amoras das árvores, e as pedras do caminho, e a risada das festas, e o choro das tormentas e as chamas do fogo. É lógico que, assim seja, posto que Simon McBurney foi discípulo de Jacques Lecoq, maestro do teatro físico, a pantomima e a máscara neutra. Em esta posta McBurney despoja o cenário para que seus atores sejam a cena, e a verdade do corpo se reúna à realidade da terra e à água onipresentes, e os elementos que manipulam os atores têm demasiada vida vivida para serem meros objetos cenográficos, como as botinas solitárias que abrem e fecham o espetáculo, esperando que alguém as calce ao princípio e voltando a esperar que algum outro os calce ao final.
Em “As Três Vidas de Lucie Cabrol”, há tempo de pensar em quem é, porque se sente refletido no coletivo, na origem das coisas, na brutalidade do meio, na voz deformada dos homens, e é possível permanecer alheio. Mas, por que lembrar de um espetáculo que esteve em cartaz há tanto tempo? Será do interesse de alguém saber que rastros deixou “As Três Vidas de Lucie Cabrol”?
Não é tão importante que o elenco de “As Três Vidas de Lucie Cabrol” seja multiétnico, nem que o espectador tenha direito a descobrir seu próprio espírito crítico, nem quantas peças de qualidade ofereça o teatro oficial, nem que a cooperação internacional facilite o intercâmbio de experiências cênicas (Théàtre de Complicité chegou a Buenos Aires por intermédio do British Council). Se é importante o poder transformador que tem o feito teatral no fazer-teatro e na sociedade que o recebe.
“As Três Vidas de Lucie Cabrol” chegou um ano antes do Primeiro Festival Internacional de Teatro de Buenos Aires e não é casual que a estigma de sua proposta se rastreie na programação de ditos encontros ao longo do tempo. Algo parecido poderíamos dizer sobre as duas visitas de Tadeusz Kantor a Buenos Aires com “Wielopole”, em 1984, e com “Que Arrebentem os Artistas”, em 1987: muito da experimentação que hoje estamos vendo no teatro alternativo provém da semente que germinou a partir das visitas do diretor e dramaturgo polonês ao Teatro Municipal General San Martín.
O feito teatral é inacessível, e em nenhum lugar se poderá recuperar as sensações do que na memória: para transmitir ideias não basta com a eloquência do discurso, senão que são mais certeiras as impressões da viagem. E as impressões da viagem podem se resumir em um movimento: Lilo Baur, a atriz que interpreta Lucie Cabrol, passa a vida eterna apenas endireitando o corpo. Assim será a imortalidade, apenas endireitar o corpo sobre a terra? Por isso, aí está a terra, terra da França camponesa, terra contraditória de nosso solo, terra que é a mesma em qualquer parte, terra que nos leva e que nos traz, terra que se seca e não morre. A nostalgia do descobrimento impulsiona o desejo de recuperar o passado, e por esses anos que em se começa a notar a proximidade do desencanto, a ficção da vida cotidiana precisa de argumentos mais relevantes.

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Cada vez mais fala-se em stand up na Argentina. O gênero conquista com a arma mais poderosa que o ser humano conheceu: o riso

Por Delfina Krüsemann – Revista Mutis x El Foro

Ao entrar no mundo do stand up, é inevitável se questionar por seu gênesis. Que mente perversa pôde conceber um espetáculo no qual um pobre diabo conta suas misérias com o objetivo de que o público dê risada dele? Ou, além disso, que tipo de masoquista pôde se identificar artisticamente com a ideia de se expor à luz de uma lâmpada mortiça, em um cenário de uma nudez quase obscena, com a única companhia de um microfone de pé e um copo com água? No entanto, grandes figuras como Richar Pryor, nos anos 1970, e Jerry Seinfeld, nos anos 1990, fizeram do gênero uma verdadeira arte. Humor em estado puro, cronometrado para fazer estalar a gargalhada a cada 20 segundos.
É impossível falar do stand up comedy sem mencionar Lenny Bruce, o norte-americano que, nos anos 1950, rompeu com todas as regras de etiqueta humorística. Sua visão crítica e ácida da moral, da política, das drogas, das diferenças raciais e de outras questões sensíveis para a época produziu tanto fanatismo quanto escândalo. Seu impacto foi tão grande que até foi processado por obscenidade pela Corte Suprema de Nova Iorque e reformulou a figura do cômico: o transformou em um artista mais livre e audaz, que combinava o confessional com o sociopolítico. É que falava a uma nova geração que entendia seus códigos: as crianças e os adolescentes da contracultura. O “número engraçado” deixou de ser prelúdio de outro espetáculo e se transformou em um show em si mesmo. Para 1970, os principais referentes do “humor em pé” transbordaram teatros e até estádios esportivos.
O gênero contagiou de forma fulminante países como o Canadá, o Reino Unido e a Austrália, onde, hoje, é um pilar de sua oferta cultural, com clubes de comédias e festivais internacionais que expõem o melhor do stand up, como o Fringe, em Edimburgo. Mas, na Argentina, o movimento ocorreu apenas no final da década de 1990: em pleno apocalipse nacional, Diego Wainstein e Alejandro Angelini ditaram as primeiras oficinas. “Nos encontramos com um grande número de pessoas que, por gim, poderiam satisfazer uma necessidade latente. Não inventamos nada novo: trata-se de um homem sozinho no cenário fazendo com que as pessoas riam, condensando aprendizagens de atores com os humorísticos”, lembra Wainstein.
Em uma primeira instância, o stand up se assemelha muito ao monólogo teatral, principalmente porque torna seu espaço de representação e é unipessoal. No entanto, até aí chegam as semelhanças. Assim o explica Fernando Quintans, cômico e produtor de Seleção Stand Up: “Um monólogo é representado por um ator que faz um personagem e diz palavras que correspondem quase sempre ao roteiro de um auto que não é ele. Em contrapartida, nós ficamos no cenário, em pé, sendo nós mesmos e representamos um roteiro original, próprio”. Esta característica intimista e artesanal é o que mais seduziu à Dalia Gutmann: “Quando escrevo, cada vez mais procuro transmitir o que vivo e penso de verdade, não me preocupo tanto pela piada, e sim em poder me abrir e contar como me afetam as coisas. É terapêutico poder rir de si mesmo e que os outros riam com você”.
Esse é o segredo que entesouram os bons cômicos: tudo o que opaca sua vida, brilha no palco. Mas não há um forte componente loser nas interpretações? Ou o público não ri ao ver refletido seu próprio patetismo, ao mesmo tempo em que se reconforta com a gargalhada das pessoas, porque se dá conta de que “a todo mundo acontece o mesmo”? “Definitivamente, há temas que se repetem porque são os que interessam a todos os seres humanos, como podem ser o sexo, a solidão, os defeitos físicos ou o transporte público, mas o interessante é ver como cada cômico pode falar do mesmo assunto de maneira totalmente diferente”, observa Belén Caccia, atriz e professora de teatro de humor.
Para o comediante Guillermo Selci, um dos aspectos mais difíceis é que o ato pareça fácil, “espontâneo, sem enfeites: como se o que se conte é o que se está pensando ou vivendo nesse instante”. Não há tempo de deter em descrições ou explorar emoções. A dinâmica sagrada é: informação, remate, informação, remate. E, nessa tirania da risada, sua presença é bálsamo, mas sua ausência é maldição.
Não se trata de inventar nada novo, mas de ir além da casca de banana e as piadas de loiras. “Importa precisar se é a versão moderna do bobo da corte medieval, uma revanche dos nerds que fizeram do seu ostracismo uma profissão ou só um modo cool de denominar algo que se faz há décadas. Como em todas as artes, há expoentes excelentes e outros nem tanto, mas o que é inegável é que, na cidade de Buenos Aires, cada vez mais o stand up ganha espaço e adeptos. Entre tanta queda de bolsa e alta de dólar, é uma proposta mais que tentadora.

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