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A dançarina e coreógrafa alemã Pina Bausch faleceu na terça-feira, dia 30, aos 68 anos. Cinco dias antes, Pina havia sido diagnosticada com um câncer, mas as circunstâncias de sua morte ainda não foram divulgadas. Pina faleceu em sua residência, em Wuppertal, onde, poucos dias antes, estava nos palco com sua equipe.

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Pina Bausch nasceu na cidade de Solingen, oeste da Alemanha, em 27 de julho de 1940. Nasceu Josephine Bausch mas, logo no início da carreira, mudou seu nome. As primeiras apresentações lúdicas com o balé infantil ocorreram em Wuppertal e Essen. Com 15 anos, iniciou sua formação de dança na Folkwangschule de Essen, fundada pelo célebre coreógrafo Kurt Joos, em 1955.
Pouco tempo depois, no início da década de 60, ganhou notoriedade na Metropolitan Opera de Nova Iorque e na Juillard School Music, aonde apresentou seus espetáculos de dança. Nos anos 70, Pina criou novas formas e estilos no teatro e na dança. Dez anos mais tarde, seu trabalho ganhou, na Alemanha, a mesma importância que o teatro falado e caracterizou o país como berço do segmento artístico.
Pina Bausch era considerada a grande dama da dança contemporânea alemã, já que tinha um estilo expressionista único que, no início de sua carreira, provocou grandes polêmicas, antes de ser reconhecido mundialmente. O teatro-dança, como a maioria denomina, foi a principal contribuição dela. Pina, no entanto, se referia a uma abordagem psicológica individual.

A companhia de Pina Bausch esteve pela última vez no Brasil em 2006 e deve voltar para shows em São Paulo, em setembro, quando mostrará duas obras importantes na carreira da coreógrafa: "Café Müller", peça de 1978, e "A Sagração da Primavera", de 1975, com música de Igor Stravinsky. Trata-se do mesmo programa que Bausch e seu grupo de Wuppertal apresentaram no Brasil em 1980, na primeira turnê da companhia no País. Emocionado, Daniel Granieri fala sobre a personalidade de sua madrinha na dança

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Por Rodrigoh Bueno

Logo no fechamento do jornal tivemos a notícia do falecimento de Pina Bausch e ocorreu falar com o amigo Daniel Granieri, que esteve em dois trabalhos com a coreógrafa. A surpresa foi que o ator não sabia do ocorrido e, emocionado, revelou traços desconhecidos da criadora do teatro-dança.
"Estive em dois trabalhos com a Pina Bausch no Brasil e me impressionou a forma como ela lidava com as pessoas. Para mim, ela é mais do que a criadora do teatro-dança, pois seu trabalho em performance também é único. Ela renovou a dança contemporânea e se tornou uma grande formadora de opinião mundial em artes do corpo", disse.
"Mas a principal característica que atribuo a ela é o poder de unir através da dança. Ela fez o que muitos estadistas não conseguiram: unir raças e difundir a cultura de povos tão diferentes. Dona de uma humildade impressionante, ela deixava claro para todas pessoas - e tratava todos absolutamente da mesma forma - que se o trabalho artístico não é feito com verdade, não vale a pena fazer. O que importa é levar para o palco a essência do ser-humano e isso ela fazia muito bem. Ela destacava nas pessoas o que elas tinham de melhor", revela.

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O professor de forró
Daniel relembra uma história ocorrida em 2002, enquanto estava em cartaz com o espetáculo "Brasil", no Teatro Alfa. Depois do espetáculo, os bailarinos brasileiros resolveram levar os estrangeiros para conhecer a noite brasileira e acabaram em um forró. O entusiasmo do grupo foi tanto, que na noite seguinte Pina Bausch - que estava na companhia de Caetano Veloso nesta noite - quis conferir a dança e coube a Daniel ensiná-la. "Caetano foi junto e acabou dando uma canja de `Cajuína´. Foi uma noite incrível e, mais uma vez, Pina Bausch mostrou o respeito e admiração que tem pelos ritmos regionais, sempre segurando seu cigarro inseparável", conta ele.

Daniel Granieri é ator e seu trabalho em televisão poderá ser conferido no programa "Por Toda Minha Vida - Cazuza", na Rede Globo, ainda sem previsão de exibição.