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Por Dominique Belbenoit

Um corpo a corpo fascinante entre o francês Alexandre Fray e o canadense Frédéric Arsenault fez do espetáculo “Appris par corps” um dos destaques da décima edição do Cena Contemporânea – Festival Internacional do Teatro de Brasília. Concebida a partir de uma visão extensa de técnicas corporais, a peça, da Compagnie Un loup pour l’homme, mistura a dança, o teatro e a acrobacia, dispensando as palavras, mas capaz de provocar diversas emoções a cada cena.
O confronto entre os dois homens no palco oscila de forma ambígua entre gestos delicados e violentos, entre força e fragilidade, entre a vontade de escapar do karma da união e a tentação de se fundir como irmãos inseparáveis. Em poucas palavras, numa cenografia pura os dois acrobatas nos desvendam simplesmente a complexidade de uma relação rica de humanidade.

COMPANHIA
A Compagnie Un loup pour l’homme nasceu no sul da França, em 2005, resultado de um encontro entre os acrobatas Alexandre Fray e Frédéric Arsenault, que já haviam trabalhado juntos em outras ocasiões. Ambos dividiam a mesma vontade de dirigir seus próprios trabalhos e desenvolver pesquisas sobre a linguagem corporal. Oriundos da Escola Superior das Artes de Circo de seus respectivos países, Alexandre e Frédéric uniram seus talentos e criaram seu primeiro e único trabalho “Appris par corps”, cuja tradução seria “Aprender de corpo”. A apresentação do espetáculo lhes valeu o primeiro e conceituado prêmio Jeunes Talents Cirque (Jovens Talentos do Circo), em 2006, na França.
“Nosso trabalho teve grande receptividade em toda a França. Nosso país possui uma política de incentivo à cultura muito extensa. Por isso, tivemos a oportunidade de fazer uma turnê tanto no território francês quanto no europeu. Apresentamos “Appris par Corps” na Holanda, na Dinamarca, na Inglaterra, na Itália, na Espanha e, agora, no Brasil, por meio de programas governamentais”, explica Frédéric. Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro e São Paulo serão as próximas cidades a serem agraciadas com o espetáculo.    
Segundo Alexandre, foi necessário muito trabalho de pesquisa para fundar a companhia. “O enriquecimento por meio do esporte, da leitura corporal, da literatura e da originalidade, entre outros assuntos, foram primordiais para conceber o espetáculo repleto de beleza e poesia impregnada de humanidade”, revela o acrobata, que fazia malabarismos nas ruas de Paris antes de montar sua própria companhia.
Para seu companheiro, Frédéric, “Appris par corps” constitui um marco inovador no segmento teatral ao possuir elementos do Novo Crico, movimento nascido na França nos anos 1970. “Esse estilo ainda é novo e fascina o público no mundo inteiro. O Cirque Du Soleil, por exemplo, tem como pilar esse mesmo movimento”, afirma.