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Além das apresentações e mostras de dança, a aposta dos organizadores são os Cursos, Oficinas, Workshops e Seminários de Dança
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Por Michel Fernandes - especial para o Jornal de Teatro

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A 41ª edição do FILO (Festival Internacional de Londrina), que acabou no final de junho, entra para a história das artes brasileiras graças à redação de uma carta oriunda do debate Acessibilidade Para a Democratização da Cultura, em que o foco para a Arte Inclusiva, ou seja, aquela preocupada com a participação de todos os indivíduos de nossa sociedade na feitura e recebimento dos objetos artísticos, teve pioneiro destaque.
Já havia participado de festivais nacionais realizados pelo Movimento Arte Sem Barreiras, como jornalista e oficineiro, como também do alemão Dancing Crossing Festival, como bailarino, e com o grupo português Dançando Com a Diferença, como pesquisador em dança inclusiva (que chamo de dança das diferenças), mas em todos esses eventos citados, a segmentação segregava os ditos inclusos do meio artístico a ser incluídos. Já o FILO 2009 agregou a sua seleta pauta de fomento artístico, de merecido reconhecimento no curso desses anos, a questão da chamada Arte Inclusiva.
Mas, voltemos à carta: ela é endereçada a todos os festivais, sejam nacionais ou internacionais, para que estes reconheçam artistas deficientes com igualdade de possibilidades de participação, desde que a arte a que se dedicam esteja dentro dos critérios de excelência artística exigidos por tais festivais. Outro quesito da carta, que exige uma reformulação mais complexa dos meios, diz respeito à acessibilidade da recepção dos espetáculos apresentados em festivais, ou seja, que através da tecnologia e de outros meios - como um intérprete em LIBRAS - seja possível a recepção por deficientes visuais, auditivos etc.

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O debate
Quem participou das mais de quatro horas de duração do debate Acessibilidade Para a Democratização da Cultura, mediado por Paulo Braz - membro da Comissão Organizadora do FILO -, sabe que os apontamentos ali nascidos são apenas rebentos prematuros de discussões que ocuparão enorme parcela de nosso porvir, mas, na contramão de tantos projetos capazes de nos engravidar de questões para, na sequência, nos abandonar órfãos de espaços para a continuação das discussões, o FILO 2009, na pessoa do próprio Braz, se comprometeu com a continuidade do projeto nas próximas edições do evento.
"Desde o princípio, o FILO é um festival preocupado com o processo, então, é natural a continuidade do projeto de Arte Inclusiva nas próximas edições do Festival", completou Paulo Braz.
A jornalista, empreendedora social, escritora, fundadora da Escola de Gente -Educação Para Inclusão e do grupo de teatro Os Inclusos e Os Sisos afirmou categoricamente: "sem se pensar na questão da acessibilidade não há evolução democrática". Em miúdos, a palavra democracia - caracterizada pela participação de todos os cidadãos do povo, em que, por meio do voto, escolhemos nossos representantes, cuja missão é debater e legislar assuntos de relevância social - só atinge seu pleno significado quando representantes de cada segmento social, preocupados em solucionar os problemas de forma comunitária, tiverem efetiva participação no debate social.
O problema disso, também apontado por Werneck, é que os segmentos acabam por buscar soluções muito específicas e geram uma espécie de exclusão dentro da própria idéia de inclusão. Citou como exemplo as reivindicações de grupos de surdos com capacidade de leitura labial, batalhando por direitos específicos a sua classe, desconsiderando aqueles deficientes auditivos sem a capacidade de leitura labial.
Virou lugar-comum o discurso individualista em todas as instâncias. Nada a fazer, então? Não. Continuemos tentando interpretar o que nos dizem nossos representantes para assegurarmos um futuro mais comunitário, votando em quem nos parecer melhor representar.
O debate Acessibilidade Para a Democratização da Cultura, como se pode perceber, alcançou escalas além do sentido objetivo da questão "acessibilidade". Mas a apresentação do grupo carioca Os Inclusos e Os Sisos é referência objetiva no quesito recepção acessível (as representações do grupo procuram destinarem-se aos mais diferentes públicos, contando, para isso, com uma intérprete de LIBRAS, posicionada numa das laterais do palco de modo a ficar iluminada sem que isso interfira na iluminação do espetáculo, fones de ouvido com áudio descrições, para que os deficientes visuais possam acompanhar os detalhes da encenação, e um sistema de legendagem instantânea, na outra lateral do palco, destinado aos deficientes auditivos alfabetizados). Segundo afirmou Cláudia Werneck, esse é o modelo do "teatro do futuro", cuja recepção será pautada pela acessibilidade geral.

Artistas heróicos por serem deficientes ou, simplesmente, artistas?
Como deficiente que já deu a cara a tapa nos palcos, dançando em Via Sem Regra, de Gerda König, com a alemã Din a 13 Tanzcompany comungo com a inquietação que preocupa sobremaneira o bailarino Edu O, que apresentou o interessante "Judite Quer Chorar, Mas Não Consegue", no FILO 2009: o reconhecimento de nosso trabalho está atrelado ao fato de nossa deficiência nos colocar num pedestal cerzidos com flâmulas heróicas daquele que consegue uma vitória apesar de enfrentar todas as adversidades ou somos reconhecidos pelo nosso real valor artístico (única "vitória" que nos interessa obter)?
Guardo uma lição de Henrique Amoedo, diretor-artístico do grupo português Dançando Com a Diferença: "O resultado artístico pode ser bom ou ruim independentemente da condição física de quem o apresenta". Posto isso, devemos ater nosso foco de atenção no gesto, na fala, na melodia, na poesia, enfim, no objeto artístico em si e não em quem o produziu para medirmos sua relevância e/ ou qualidade artística.
Edu O., por exemplo, apresenta em Judite Quer Chorar, Mas Não Consegue uma bela obra de dança-teatro sobre as dores e os sabores vindos com a transformação.

*Michel Fernandes é jornalista cultural, crítico e pesquisador de teatro. Editor do www.aplausobrasil.com.br.

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Terceira edição do Fita Floripa bate recorde de público e 20 mil pessoas vibram com as apresentações de 19 companhias de teatro e animação
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Por Adriana Machado
Fotos Anderson Espinosa

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Criança ou adulto, não importa a idade, o olhar de encantamento é o mesmo. E este brilho nos olhos é um fenômeno que acontece há mais de duas décadas, em uma pequena e bucólica cidade serrana do Rio Grande do Sul. Todo ano é assim. O 21º Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Canela não traz, apenas, os melhores espetáculos do mundo, as mais novas técnicas de manipulação e o talento dramático de atores responsáveis a dar vida às suas mais incríveis criações. O evento – o mais duradouro do gênero no País e também um dos mais longevos das artes cênicas – movimenta o município de inúmeras maneiras. Turistas vindos de várias partes do Estado lotam hoteis, restaurantes e o comércio local, que por sua vez, se “enfeita” para receber o público e os consumidores. Este colorido especial, capaz de remeter às travessuras da infância, está presente em todos os cantos: nas esquinas, nos bancos das praças, nas vitrines das lojas e nas janelas das casas.
Vinda de Caxias do Sul, Simone Pellenz e sua filha, Amanda, de 9 anos, se deslocaram para o município especialmente para prestigiar o festival. “É difícil encontrar espetáculos como este durante o ano. Estou achando bem bacana, principalmente porque podemos escolher entre as programações fechadas e as de rua também”, diz Simone. “Ou seja, têm atrações para todos os gostos e em duas versões, o que demonstra a boa organização do festival”, completa.

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Formas inovadoras
O Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Canela contou com um público de mais de 30 mil pessoas durante os quatro dias de realização (de 18 a 21 de junho). Bonequeiros do Brasil, da Finlândia, da Espanha, da Argentina e da Itália, em um total de 120 artistas, apresentaram 50 espetáculos (a metade atrações de rua). As técnicas foram as mais variadas: sombras, fios, luvas, varas, com bonecos grandes e pequenos, representando bebês, homens, mulheres, idosos e animais.
Espetáculos lúdicos, nostálgicos ou simplesmente irreverentes e que nunca se repetem. Com exceção de um ou outro sucesso do passado. “Existe uma preocupação em trazer uma programação de vanguarda, alguns mais fáceis de serem aceitos pelo público, caracterizando-se por ser o mais puro entretenimento, outros mais densos e investigativos”, afirma a diretora artística do festival, há 21 anos, Marina Meimes Gil, responsável pela curadoria em conjunto com os bonequeiros Nelson Haas e Beth Bado. 
Destes, existem grupos que preferem a improvisação e o contato direto com o público. Na praça, dezenas de crianças se acotovelavam para ver de perto os imaginários Malry e Halry, do “Circo de Pulgas”, do catarinense Marcio Correa, integrante do grupo Legião de Palhaços. Utilizando a técnica de manipulação e ilusionismo, o domador-clown divertiu pela simplicidade características da obra. “Este espetáculo existe desde 1998 e há muito tempo não faço apresentações em teatros fechados”, diz o artista.
Os gaúchos Jeffersonn Silveira e Cícero Pereira, do grupo Giba, Gibão, Gibóia seguem a mesma linha. “As aventuras de pantaleão, o mágico trapalhão” existe há 15 anos e já foi apresentado em colégios, comunidades carentes, para menores infratores, crianças portadoras de HIV e vegetativas. “Procuramos envolver o público e gostamos de levar alegria. Para nós, artistas, ver o sorriso desta garotada traz uma realização pessoal muito forte, sem querer ser demagogo”, confessa Silveira.

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O melhor no mundo em teatro de formas animadas

O Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Canela contou com uma programação equilibrada, para atender a todas as idades e a todas as tendências da arte bonequeira. Foram 18 peças apresentadas nos teatros e nos espaços públicos. Além disso, o festival “veste” toda a cidade com bonecos, incluindo os infláveis, e até mesmo uma cobra de 40 metros. Outra atração foi a exposição dos bonecos do grupo Cia O Navegante, locados para a minissérie Hoje é Dia de Maria. 
Quem subiu a serra teve a oportunidade de assistir novidades recém-estreadas na Europa, espetáculos de vanguarda e encenações de grande porte, que exigiram 17 horas de montagem de cenário e infraestrutura. Casos de Pinocchio, do grupo Giramundo, de Belo Horizonte, e de Katoamispiste (Vanish Point), a atração pós-dramática da vez, vinda da Finlândia. Todos os espetáculos internacionais vieram ao Brasil pela primeira vez.
Com direção e adaptação de Marcos Malafaia, Beatriz Apocalypse e Ulisses Tavares, os mineiros trouxeram a inserção do vídeo como elemento cênico, a composição da trilha sonora no sistema quadrifônico, o uso de madeira e objetos de demolições, a aproximação entre manipulação e dança e o uso simultâneo das técnicas tradicionais do teatro de bonecos. Tudo para refletir sobre a formação do ser humano através da restrição da liberdade e do prazer.
Já a representante da Finlândia apresentou uma proposta pós-dramática, que misturou animação com muita tecnologia e elementos do cinema novo, circo e dança. O cenário foi formado por três telões que exibiam imagens urbanas e da natureza durante a encenação. Algumas performances apresentadas no palco também apareceram ecoadas nas projeções. Entre os efeitos, o ator animou um pássaro com as mãos, que saiu voando, surgindo num mergulho em imagens pré-gravadas.  
A programação, segundo a diretora artística Marina Meimes Gil, é luxuosa. Estética à parte, com certeza é um bom resumo do que acontece de melhor no mundo em teatro de formas animadas. Exemplo disso é o espanhol “Don Juan, Memória Amarga de M”i, que estreou no festival Titirimundo 2009, na Segóvia, onde se consagrou como o melhor espetáculo. Também recebeu o prêmio do júri popular do 10º Festival de Teatro de Bonecos de Belo Horizonte.

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Grupos participantes:
Espetáculos internacionais


Valéria Guglietti – “No Toquen Mis Manos”, Espanha.
Técnica de manipulação: sombras chinesas
WHS – “Katoamispiste”, Finlândia. Técnica de manipulação: objetos
Pelmànec Teatre – “Don Juan, Memoria Amarga de Mi”, Espanha.
Técnica de manipulação: direta
Gioco Vita – Pepe e Estrella, Itália.
Técnica de manipulação: sombras chinesas 

Espetáculos nacionais
Contadores de histórias – “Em concerto”, Paraty (RJ). Técnica de manipulação: direta
Giramundo Teatro de Bonecos – “Pedro e o Lobo”, Belo Horizonte (MG).
Técnica de manipulação: marionete
Giramundo Teatro de Bonecos – “Pinocchio”, Belo Horizonte (MG).
Técnica de manipulação: marionete/balcão/luva/sombra
Bonecos Canela – Cultura Viva – “Sonho de uma noite de verão”, Canela (RS).
Técnica de manipulação: luva

Apresentações de rua 
Kossa Nostra – “Kruvikas” , Argentina. Técnica de manipulação: luva/vara/direta e mista
Pia Fraus – “Bichos do Brasil”, São Paulo. Técnica de manipulação: direta de infláveis gigantes
Legião de Palhaços – “Circo de Pulgas”, Rio do Sul (SC). Técnica de manipulação: ilusionismo
Giba Gibão Jibóia – “As Aventuras de Pantaleão”, Porto Alegre (RS).
Técnica de manipulação: luva/gatilhos/vara
Cia. O Navegante – “Musicircus”, Mariana (MG). Técnica de manipulação: marionetes
Cia. Bonecos da Gente – “Afro-descendentes”, Alvorada (RS). Técnica de manipulação: direta
Pregando Peça – “O Macaco Simão”, Gravataí (RS).
Técnica de manipulação: marote com vara
Calçada Di Verso – “Trapizonga”, Curitiba (PR).
Técnica de manipulação: direta e marionetes 
Bando Néon Experiência Cênica – “Teatro de Lambe-Lambe”, Joinvile (SC).
Técnica de manipulação: direta

De Canela:
Teatro de Bonecos Padre Franco – “A Viagem de um Barquinho”.
Técnica de manipulação: direta
Bonequeiros Mirins – Instalação
Grupo Pé Grande – “Bonecos Gigantes”. Técnica de manipulação: direta
Grupo Só Rindo. Técnica de manipulação: direta
Extras: Mostra de filmes, descentralização, Caixa Lambe-Lambe e Cinema 3D

Os premiados da noite de encerramento, na opinião do público:

Melhor espetáculo apresentado nos teatros:  “No Toquen Mis Manos”, de Valéria Guglietti, da Espanha

Melhor espetáculo de rua do Bonecos do Chapéu, “Bichos do Brasil”, do Pia Fraus, de São Paulo

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