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Por Douglas de Barros, redação Rio de Janeiro

Conhecida por suas praias, ilhas e, principalmente, mansões milionárias, a cidade de Angra do Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, viveu dias de arte e agitação cultural. Tudo porque, desde o dia 30 de outubro e até o último 22 de novembro, aconteceu o Fita 2009 (Festa Internacional de Teatro de Angra).
Na sexta edição do festival foi montada a “Cidade do Teatro”, com duas grandes tendas na praia do Anil. O Palco Sesc (com capacidade para 1.500 expectadores) e o Palco Transpetro (com 500 lugares) abrigaram grandes espetáculos e estreias nacionais.
Em 24 dias de festival a mostra reuniu 62 espetáculos. Em cartaz, sucessos da temporada do Rio de Janeiro e de São Paulo, peças internacionais, cursos, debates, teatro nas escolas e a segunda edição da Festa Nacional de Animadores de Bonecos.
Entre as estreias, sete no total, a peça “Usufruto” foi escrita e protagonizada por Lúcia Veríssimo. O espetáculo é o primeiro trabalho de Lúcia como autora e foi a apresentada no dia 20 de novembro. Já no dia 22 a festa contou com a estreia de “A Marca do Zorro”, dirigida por Pedro Vasconcellos e com Thierry Figueira, Priscila Fantim e Thadeu Mello nos papéis principais. Outra estreia nacional foi “O Túnel”, um texto inédito de Dias Gomes.
Angra também conferiu “Cochambranças de Quaderna”, com Inez Vianna; de “Garotos”, com Rafael Almeida, Marco Antônio Gimenez, Ivan Mendes, Caio Bucker e Ícaro Silva; “Como me tornei estúpido” (peça que teve estreia apenas em Portugal) com Gonçalo Diniz, Shirley Valentine e Betty Faria; e “Dois pra lá, dois pra cá”, com Rita Elmôr e Thelmo Fernandes
(as duas últimas inéditas no Rio de Janeiro)..

Seis anos de arte no litoral fluminense
O primeiro Festival de Angra aconteceu em 2004. Desde então, já passaram pela Fita a diva Bibi Ferreira, o dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, Osmar Prado, Susana Vieira, Jonas Bloch, Maria Padilha, Adriana Esteves, Marcos Palmeira, Roberto Bomtempo, Gutti Fraga, Marcelo Faria, Drica Moraes, Débora Falabella e tantos outros que consagraram Angra dos Reis como a cidade do teatro.
O idealizador da festa, o jornalista João Carlos Rabello, afirma que a festa teve um início modesto, tanto que o evento recebeu 12 mil pessoas em sua primeira edição. “Na verdade, a Fita começou de uma forma amadora e com espaços menores. Então, nós percebemos que existia uma demanda reprimida, de um público grande que queria ver teatro. Foi quando, em 2006, aconteceu a Flip (Festa Internacional Literária), em Paraty, e foi um sucesso. Com isso, descobriram o óbvio, que a cultura tem prestígio e traz turistas. Então, o prefeito de Angra na época me pediu para fazer um grande festival. Eu falei para ele que já tinha um projeto grande e mostrei para ele no dia seguinte”.
Para o jornalista, o grande objetivo da Fita é levar teatro de qualidade e formar público que aprecie a arte. “Procuramos fazer um festival do ponto de vista da plateia com todos os tipos de teatro, dos mais populares aos mais ‘cabeça’, mas sempre um teatro de interesse do público. Ou seja, qualidade com interesse popular feito para formar público para o teatro”, revela Rabello, que acredita que o trabalho tem sido recompensado por causa do prestígio que a mostra tem recebido a cada ano. “Os artistas ficam apaixonados pelo carinho do público e estrutura de som e luz que a gente monta.
Todos se mostram surpresos e encantados com o público de iniciados e que estão acostumados a assistir teatro. Tanto que todos pagam para ver o teatro e não o artista da TV”, explica.
Para este ano, além das tendas principais, espaços alternativos como o Teatro Municipal (com capacidade para 240 pessoas), ginásios e pátios de escolas públicas receberam peças infantis e uma uma tenda/boate reuniu, nos fins de noite, pelo menos quatro mil jovens. Os ingressos mais baratos custaram R$ 2,50, mas também foram disponibilizadas entradas de R$ 5, R$ 10
e até R$50.
A organização da festa ainda distribui onze mil ingressos para crianças das escolas públicas da cidade. “Recentemente trouxemos 550 crianças de Ilha Grande para assistir a um espetáculo de teatro infantil. Elas nunca tinham ido ao teatro e algumas nunca tinham saído da ilha. Ao ver que as crianças choravam de alegria com o espetáculo, todos nós choramos juntos
e foi um grande momento”, relembra Rabello.