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Por Rubens Barizon, Rio de Janeiro

 

O Encontro Latino de Artes começa sua 2ª edição. No dia 22 de abril, no auditório do Consulado Geral da República da Argentina inicia o Encontro que perdura até o próximo dia 28. Também chamado Enlata, o movimento engloba outros países da América Latina, como Equador e Argentina. O caráter é de uma intervenção artística que tem como cenário a cidade do Rio de Janeiro - são oficinas, atrações teatrais e musicais – um intercâmbio.  Na programação está previsto uma incursão pelas instituições de ensino que estão em parceria com o Encontro. Nesta ocasião, participam a CAL, UniRio e a UniverCidade. O idealizador do Enlata, Leandro Lobo bateu um papo com o Jornal de Teatro e pontuou sobre o projeto:

 

Jornal de Teatro- Como surgiu a parceria com companhias teatrais de outros países?

Leandro Lobo– No caso do ENLATA II - Encontro Latino de Artes, foi uma realização do grupo Travessia Teatro, no qual sou diretor, e também através da nossa participação em festivais na Argentina e Equador, o que proporcionou uma relação mais estreita com grupos da América Latina, onde de antemão assumi o compromisso de aproximar o Brasil artisticamente desses artistas.

 

JT- Qual foi a repercussão da primeira edição do Enlata, na ótica da oportunidade artística no Rio de Janeiro?

Lobo- O projeto por sua abrangência, não só visando as apresentações, mas também a entrada nas Universidades, atua diretamente com artistas em formação, o que é um bom diferencial para o Encontro. Outro dado interessante é a permanência de todos os artistas durante toda a semana do encontro, vivendo em uma casa para que esses laços se estabeleçam de uma forma ofensiva e que possamos formar uma grande rede de artistas latinos. Acredito que a repercussão artística foi muito bem sucedida, saber que artistas brasileiros fizeram residência artística em Quito porque tiveram contato e conhecimento do grupo por causa do Encontro, só reafirma o quão o ENLATA foi assertivo.

 

JT- Alguma peça se destacou na última edição e merece uma observação?

Lobo- Como estamos falando de um Encontro e não um festival, todos os trabalhos foram destaque. A ideia é sempre somar e não a competição entre os grupos.

Tivemos um momento especial, pois o grupo do Equador estava completando 22 anos de existência e o Diretor Patricio Vallejo lançou no ENLATA a publicação sobre o seu livro de teatro “La Niebla y la Montaña”. Esse grupo volta na segunda edição. O grupo nos presenteou com uma flor de Chukirauwa na cerimônia de encerramento. Essa flor tem uma simbologia forte de resistência, porque nasce no alto dos Andes e sobrevive a extrema dificuldade, hoje a Flor é o símbolo do Enlata.

 

JT- De que forma a UniverCidade, UniRio e a Cal interferem na produção do Encontro?

Lobo- Eles são apenas parceiros, não interferem na produção propriamente dita. Porém, são de extrema importância para que em um futuro, espero que seja bem próximo, não exista mais essa distância entre os artistas latino-americanos e brasileiros.

 

JT- Sobre as oficinas e incursões pelas universidades com os grupos contando com 15 minutos para se apresentarem:

Lobo- Cada grupo precisa desenvolver uma apresentação de trabalho que mostre suas pesquisas, linguagem, método de trabalho, técnicas utilizadas etc. Eles recebem um tema e precisa ser desenvolvido, criticado ou defendido e depois irmos para o diálogo com os alunos.

 

JT- Leandro, fale sobre a expectativa de evolução do Encontro com relação ao ano passado?

Lobo- O Enlata começa a se tornar como algo que desperta muito interesse, e a sessão do Teatro II do CCBB seguramente nos dará uma maior visibilidade, estou muito confiante até porque nessa segunda edição conseguimos realmente promover um encontro de artes, com a participação de shows e a vídeo instalação. O que nos coloca em um outro “lugar” apresentando alguns diferenciais para o público.