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Por Rubens Barizon (Texto adaptado)
Da Redação JT


Comédia dramática, “Francesca” foi inspirada em história contida no poema medieval Canto V de “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. O texto é do autor Luís Alberto de Abreu que se destacou com “Foi bom, Meu Bem?” e “Cala a Boca Já Morreu” nos anos 80, e que amanhã concorre ao 25º prêmio Shell do Teatro de São Paulo.

“Francesca” é descrita como comédia popular que se desenvolve a partir de um "concílio de diabos bufões", cujos participantes decidem o futuro das almas que chegam ao inferno. Estas passam pelo crivo dos juízes Francesca e seu namorado Paolo. A moça pede apenas para contar a história de amor que experimentaram, já que, segundo entende, seu único pecado foi amar.

Apaixonados, Francesca e Paolo têm que encarar, por imposição familiar, o casamento dela com o irmão dele. Isto os leva à traição; e esta transgressão às regras morais e sociais da época os leva à morte. A montagem tem 18 personagens e 10 atores em cena. Além dos protagonistas.

Nesta adaptação o autor se valeu de tradições cujas origens estão enraizadas na arte popular. Na fábula, o conteúdo religioso (típico do período de Dante Alighieri) se soma a elementos da commedia dell’arte, influente tradição cômica do teatro ocidental. Em “Francesca”, temos os enamorados, o pai aburguesado, a alcoviteira e a criada, típicos desta prática teatral.

O diretor Roberto Lage explica que a montagem busca atingir todas as plateias e vários segmentos sociais. “Isto quer dizer, um espetáculo popular. Uma história de amor que transgride valores da Idade Média e que continua no século XXI”. Ele ainda questiona se não seria oportuno provocar na plateia uma reflexão sobre o fato de estarmos tão desenvolvidos científica e tecnologicamente e continuarmos presos a valores e preceitos sociais que travam o desenvolvimento do homem com preconceito.

Luís Alberto de Abreu elaborou "Francesca" em versos, a peça é como um poema dramático, recurso pouco explorado na dramaturgia atual, na qual o autor exige do espectador um estado auditivo diferente do habitual. Mas nem por isso ele deixa de proporcionar um texto claro e fácil de ouvir.