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Antes de sair em turnê por 15 cidades da Alemanha e Bulgária, o grupo paulistano Treme Terra apresenta seu espetáculo híbrido “Terreiro Urbano”, nos dias 08, 09, 10 e 11 de agosto, quinta a sábado às 20h, domingo, às 19h, na Galeria Olido. No palco da Sala Paissandu, músicos e bailarinos mostram a dança, a sonoridade e os elementos tradicionais da cultura afro-brasileira em um contexto urbano e moderno, uma releitura contemporânea extraída dos rituais dos terreiros de candomblé.

Sob direção geral de João Nascimento – músico pesquisador da cultura afro-brasileira – e coreografia de Firmino Pitanga, “Terreiro Urbano” vai reunir no palco 21 bailarinos e músicos com a participação de Adriana Moreira e Z`África Brasil. Completam a ficha técnica Júlio Dojcsar, responsável pelos materiais cênicos e Vana Marcondes e Lígia Nicácio, que desenharam os figurinos.

Contemporâneo – “Terreiro Urbano” é uma criação coletiva do Treme Terra inspirada na mitologia dos orixás, composta por coreografias e músicas que dialogam com este universo e formam fotografias da diáspora africana e suas influências sobre as outras culturas existentes na grande metrópole. Para o diretor do grupo, João Nascimento, “a ideia não é representar o terreiro tradicional no palco da forma como ele é feito em seus rituais sacros, mas sim, criar uma releitura desta manifestação, um caleidoscópio da cultura afro-brasileira a partir das mitologias, seus cantos e movimentações”.

Nascimento classifica o espetáculo como “contemporâneo de composição efêmera, subjetiva e poética, que investiga as manifestações populares dos terreiros, suas movimentações, sonoridades, hábitos, preceitos e fundamentos intrínsecos que fazem parte desta cultura ancestral.” O líder do Treme Terra acrescenta ainda que “a obra expressa o passado como fonte de inspiração e, ao mesmo tempo, como identidade cultural que nos põe unidos apontando para a construção de um futuro comum”.

Cultura de Rua – O espetáculo pretende ainda ampliar as linguagens artísticas, criando uma nova textura musical apoiada nos elementos da cultura hip hop em contexto contemporâneo. O encontro entre os tambores, os instrumentos eruditos e a batida do RAP cria uma sonoridade peculiar que dialoga com as coreografias de dança negra. Haverá ainda, durante o espetáculo – dentro desse contexto de cultura de rua - a participação do artista plástico e grafiteiro, Achiles Luciano (casadalapa) interagindo com o grafite digital ao vivo.

A montagem está baseada na representação simbólica de um xirê (cerimônia tradicional de saudação e exaltação a todos os orixás, sequência de danças do candomblé, que começa com Exu e finaliza com Oxalá), uma releitura contemporânea deste rito que busca nesse novo olhar um lugar privilegiado para expressar e comunicar as linguagens corporais e sonoras que dialogam com alguns elementos urbanos.

 

TREME TERRA

Nascido no ano de 2006, no Morro Do Querosene — bairro paulista com forte tradição cultural como as festas do Bumba-meu-boi, Rodas de Capoeira e Cosme e Damião — idealizado por João Nascimento e seu pai Dinho Nascimento, o grupo Treme Terra trabalha na valorização e difusão da cultura afro-brasileira por meio de atividades de formação artística, voltadas para jovens. Em sua sede, a Afrobase, hoje localizada no Rio Pequeno, bairro da periferia de São Paulo, o grupo promove oficinas gratuitas para a comunidade e realiza os ensaios da companhia de dança e música, criando um espaço de vivência e integração sócio-cultural.

A produção artística do grupo consiste na fusão dos ritmos tradicionais da cultura popular (canções resgatadas de manifestações brasileiras de matrizes africana e indígena) e ritmos urbanos que contracenam com as movimentações de dança inspiradas nos elementos da mitologia dos orixás, retratando sonoridades e imagens da diáspora africana e suas influências sobre as outras vertentes culturais existentes na grande metrópole. Utilizando-se de material reaproveitado, tambores de lata, conduítes e sucatas, o Treme Terra desenvolve uma pesquisa sonora de timbres extraídos de objetos gerados pela própria cidade que se somam aos instrumentos acústicos convencionais (surdos, timbais, berimbaus, violão, baixo, entre outros) e constroem trilhas afro-contemporâneas baseadas nos ritmos regionais (ijexá, congo, barra vento, samba, jongo, soli, baô) com funk, hip-hop etc.

Em 2010, o grupo reuniu sua pesquisa e produziu seu primeiro trabalho chamado “Cultura De Resistência”: um álbum multimídia composto por 16 músicas autorais e de domínio público que contou com as participações de Nasi, Gaspar Z’África Brasil, Dinho Nascimento, Toninho Carrasqueira, Caxeiras do Divino da Família Menezes, Orquestra de Caboclos, Eugênio Lima, Marquinhos Mendonça e Décio Gioielli. Também compõe o álbum um documentário em DVD com 16 minutos de duração que discute como algumas manifestações populares sobrevivem à massificação cultural do mercado industrial.