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De férias na Bahia, a baiana Mariana Gomes, única brasileira que compõe o corpo de dança do Ballet Bolshoi na Rússia, conta sua história, fala da saudade e sobre a vontade que tem de compor o corpo de jurados do Festival Ballace. A companhia da qual Mariana faz parte é considerada a mais tradicional do mundo, fundada em 1776, e conhecida mundialmente devido aos rigorosos critérios para a seleção, perfeição e precisão de todos os passos dos seus bailarinos. "É preciso muita coragem e determinação, além de técnica, muito caráter e inteligência", explica Mariana.
Com apenas 21 anos, ela é o exemplo de determinação e superação que inspira a maioria dos dançarinos brasileiros. A sua trajetória na dança foi iniciada aos 7 anos, quando começou a estudar na Escola de Ballet Adalgisa Rolim, na cidade de Lauro de Freitas (BA). Aos 14 anos, ela foi incentivada por sua professora de dança para fazer um teste na Escola de Teatro do Bolshoi, de Joinville, e acabou selecionada entre os 4.700 currículos enviados.
Mariana passou a integrar o corpo de baile e a viajar por todo o Brasil, sempre com medalhas de honra como melhor aluna. Em 2005, nas avaliações anuais, feitas por professores de Moscou, foi selecionada para o estágio remunerado e se mudou para a capital Russa. Mariana conta que teve problemas de adaptação e sofreu discriminação por ser brasileira, mas soube vencer os obstáculos, inclusive, o mais difícil deles: a saudade que sentia da sua família e dos amigos. "Aprendi a conviver com a saudade, e aprendi que tudo é uma questão de costume", conta.
Com uma rotina intensa, ensaios diários, das 8h às 22h30, e intervalos de três horas com folgas somente na segunda-feira, Mariana teve sua grande chance ao substituir uma bailarina russa, 15 minutos antes da estreia do espetáculo Bolt. "Era uma apresentação difícil e nem todo mundo sabia fazer tudo, mas eu sabia, porque sempre estudei tudo. Assim ganhei meu espaço", diz.
A bailarina admite que o caminho até o Bolshoi da Rússia é árduo, e, infelizmente, nem todos que estudam no Bolshoi do Brasil terão a mesma oportunidade. "Infelizmente não é fácil conseguir chegar lá e mostrar suas qualidades, mas, com certeza, a maioria dos bailarinos terá chance em outras companhias do mundo", avalia Mariana.
Ela conta que conhece e já ouviu falar muito do Festival Ballace. Para Mariana, é muito importante saber que, através deste evento, vários baianos são selecionados para o Bolshoi. "Eu ainda não participei, mas, assim que receber um convite, terei o maior prazer em realizar uma apresentação e de ser jurada também".
Mariana finaliza a entrevista deixando para todos os bailarinos brasileiros uma mensagem de incentivo. "Sejam muito mais que bailarinos, muito mais que estagiários, muito mais que contratados, façam a diferença. Usem a inteligência e nunca percam a humildade. Dancem quando estiverem tristes e com saudades, quando estiverem de folga e até mesmo de férias. Dancem pra curar todas as dores, mas que seja sempre com amor", finalizou a bailarina.

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Além dos cursos de aperfeiçoamento, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil oferece a todos os bolsistas ensino regular gratuito, uniformes, plano de saúde, transporte e alimentação. Mas não dá moradia aos bailarinos. O que, para muitos, como a bailarina Anelice Souza, de 11 anos, é um grande obstáculo para seguir em frente. "Rezo todos os dias para que Deus me dê a graça de conseguir ir para lá, pois tenho certeza que é a grande chance da minha vida, de seguir o meu sonho e ainda ajudar a minha família", desabafa.

A menina, agora, precisa vencer mais uma etapa: conseguir patrocínio para manter uma moradia durante todo o período que precisará ficar em Joinville para completar o curso. Criança humilde, que mora em uma região de classe baixa de Salvador, Anelice vive com os pais, garçons, e com sua irmã. Todos vivem em uma casa simples, com a renda de dois salários mínimos. A mãe, Márcia Souza, conta que, desde criança, Anelice dava sinais do quanto tinha vocação para o balé. "Ela sempre andou na ponta do pé e se destacava nas festas devido a forma de dançar", revela Márcia.
Márcia conta, ainda, que a boneca Barbie sempre foi a inspiração da sua filha, que tentava imitar os passos que a personagem fazia em comerciais e filmes. "Ela me pedia para entrar em uma escola de dança, mas, infelizmente, minha falta de condições financeiras não permitia. Doía muito ver a minha filha cheia de potencial, mas sem oportunidades", diz Márcia.
Quando Anelice completou 9 anos, a mãe dela conseguiu colocá-la na academia de dança do bairro. Foi lá que a garota teve apoio para seguir em frente. Assim que começaram as aulas, sua professora de dança, Vera Monteiro, percebeu que estava diante de uma excelente bailarina. "Ela tem grande potencial. Só precisamos lapidá-la para que ela se torne uma pérola preciosíssima. Anelice é uma criança que dança com emoção e é muito carinhosa", avalia Monteiro.
Anelice, que já ganhou diversos prêmios, diz que não esperava ser escolhida pelo Bolshoi, apesar de ter a consciência de que dança bem. Ela conta que, quando soube do resultado do concurso, ficou muito feliz e só pensou que era chegado o momento de dar melhores condições de vida para sua família.
Quando questionada sobre a saudade que sentirá dos familiares, Anelice responde que seria muito bom se todos pudessem se mudar para Santa Catarina com ela, mas, como já está sendo difícil a sua própria ida, a menina afirma que irá segurar a emoção e seguir em frente. "Sei que deve ser difícil ficar tão longe, mas não vou me abater. Quero ir e aproveitar essa grande chance. Peço a ajuda de todos que possam me apoiar a conquistar o meu sonho", frisa Anelice.
O desempenho de Anelice fez com que os auditores adiantassem o início do curso da garota, que só deveria ingressar no Bolshoi em fevereiro de 2010. Assim, caso consiga patrocínio para comprar as passagens e pagar por moradia, a menina começará o curso no segundo semestre deste ano.

Apoio: Quem quiser ajudar Anelice deve entrar em contato com a professora Vera Monteiro através do telefone (71) 8816-9028

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Este ano, 1200 bailarinos de todo o País se inscreveram na disputa, realizada entre 11 e 14 de junho, pelo terceiro ano consecutivo, na Bahia.
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