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Adriano Fanti (Londres)

Assim como no Brasil, desde “Grease, o Musical” (2003/04), e agora a estreia de “Hairspray”, no Rio de Janeiro (com a talentosíssima Simone Gutierrez como Tracy Turnblad e super elenco), o West End tem respirado muito hairspray. “Grease” (que teve sua primeira montagem Londrina em 1973) volta ao West End após turnê (da qual fiz parte por seis meses, em 2005) e,  com muito “ramalamalama”, no Picadilly Theatre, ao lado da estação de metrô de mesmo nome. Desta vez, tendo como Zanny Zuko, o ex-candidato do X Factor, Ray Quinn (blah!!) “Hairspray”, após uma temporada de muito sucesso, tendo em destaque Michael Ball (Guildford School of Acting) como Edna Turnblad, tem o elenco principal renovado com a adição de Brian Conley como Edna, Liam Tamme como Link e minha amiga de faculdade, Chloe Hart, como a irreverente Tracy Turnblad.

A camada de ozônio não para de sofrer por aí com tanto laquê: o smash hit “Shout”, que homenageia hits de Os Beatles e outros ícones dos anos 1960 – Rolling Stones, Beach Boys, Righteous Brothers, Chubby Checker, Dusty Springfield, The Drifters, Sonny and Cher, The Supremes, Roy Orbison, Everly Brothers, The Monkees, Neil Sedaka e outros – acaba de ter uma temporada de sucesso no West End.


Além de “Shout”, um musical jukebox (musicais de canções preexistentes com enredo de pano de fundo, opção fácil no momento), “Dreamboats and Pettitcoats” é a mais nova estreia no gênero dos anos 1960.  Trata-se de um musical inspirado no álbum (de coletâneas da década) que, aparentemente, foi o de maior venda no ano passado. O enredo, apesar do previsível mocinho conhece mocinha, é localizado em Essex, na Inglaterra, ao invés da até então, sempre presente nestes musicais América dos anos 1960 e possui também um script sólido dos veteranos de TV Lawrence Marks e Maurice Gran, cujos créditos incluem Birds of a Feather, The New Statesman e Goodnight Sweetheart.


Segundo minhas pesquisas e opiniões de conhecidos que também já foram conferir, a plateia claramente adorou a receita de números de clássicos do rock, que misturaram de forma homogênea com o enredo leve no qual Laura, uma brilhante compositora, mas meio “nerd” no departamento visual, finalmente consegue o homem dela. Hum, soa familiar? O elenco é fantástico. Muitos dos atores, assim como em “Dorian Gray” (mencionado em minha última coluna), também tocam instrumentos ao longo do espetáculo. A energia transmitida por eles é altamente contagiante e o único pequeno desapontamento é a falta de coreografias de impacto.


“Feel-good musicals” (nome dado a musicais sem muito conteúdo que, no entanto, animam a plateia), por serem altamente comerciais junto ao público leigo, encontram domínio no setor teatral do West End também. Apesar de melhor apreciar os musicas de maior conteúdo, reconheço a importância dos “feel-good musicals” pois, para mim, a beleza do teatro está em o espectador deixar o teatro tocado de alguma forma. Seja moralmente, politicamente ou porque, durante aqueles minutos, ele (a) esqueceu dos pesares da vida e se reabasteceu de energia boa. Por que não? Contanto, porém, que musicais de enredos enfáticos coexistam!! Hehe.