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Por Gerson Steves

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Não é grande coisa: um amontoado de dez ou 12 ruas, cada uma com quatro ou cinco blocos em torno de uma avenida que corta Manhattan. A Broadway é a veia por onde circula o sangue daquilo que se conhece como Theater District. E o seu coração é a famosa Times Square, que de praça não tem nada.
Ali fica a TKTS, onde milhares de pessoas formam diariamente filas quilométricas para tentar um ingressinho mais em conta para um dos tantos musicais concorridos da cidade. Ao chegar ao alto de sua vermelha e iluminada escadaria, o primeiro pensamento que ocorre é o que seria daquilo tudo se Gilberto Kassab fosse prefeito de Nova Iorque. Provavelmente, a Lei da Cidade Limpa ceifaria daquela área o que ela tem de melhor: seus cartazes, painéis de LED, luminosos e fachadas de neon – um inconfundível festival de luzes e cores. O casamento da poluição visual com o glamour, da comunicação de massa com o entretenimento.
Mas não podemos esquecer que, definitivamente, a Broadway não é aqui – embora tantos tentem impor a Sampa esse dever quase histórico de colocar em seus palcos os ecos culturais da grande Meca. E, como fiéis seguidores, nos voltamos em sua direção e nos curvamos reverentemente, para o bem e para o mal. O que não é de hoje.
Desde sempre hospedamos reverentes as grandes companhias de teatro e ópera italianas, inglesas ou francesas. É cantada em verso e prosa a vinda da Divina Sarah às terras brasileiras. Muito depois, já nos tempos do TBC, aqueles grandes diretores, cenógrafos e iluminadores italianos colocaram em nossos palcos espetáculos que agradavam à burguesia da época que, por alguma razão, não podia ver os originais na Europa ou nos Estados Unidos. Talvez uma das causas seja o fato de que a burguesia, via de regra, é inculta e não domina outras culturas e línguas.
Quem sabe a isso se deva o enorme sucesso dos musicais da Broadway por aqui e a quantidade tão pequena de brasileiros nas platéias do distrito teatral de Manhattan. Isso não quer dizer que não haja brasileiros em Nova Iorque. Claro que há. Todos procurando outlets e sales – uma horda de sacoleiros e sacoleiras loucos pelas griffes do Sex and The City. Nos teatros? Quase nenhum.
Mas a Broadway sobrevive, apesar da crise que fez serem cancelados diversos shows e diminuiu as filas do TKTS. Sobrevive graças ao turismo local e a um público quase careta, que força produtores e artistas a apostarem cada vez mais as suas fichas no conservadorismo.
Explico. Os espetáculos musicais de maior sucesso hoje são aqueles que investem em terrenos seguros e conhecidos: a diversão em família (com uma dose suportável de sacanagem), os remakes de antigos e garantidos sucessos, ou aquelas que têm por trás um fenômeno cinematográfico anterior.
A fórmula é a do bom e velho entretenimento: uma pitada de romance, uma mensagem crítica ou edificante com baixos teores de violência ou agressividade, muita cantoria, boas piadas e a preservação dos valores locais.
Nessa esteira, estão grandes sucessos como: “Avenue Q” (Muppet Show pra gente grande, com mensagem edificante), “Billy Eliot” e “Mamma Mia” (com canções pra lá de manjadas do ABBA); os infantis “Shrek”, “Mary Poppins” e “A Pequena Sereia” (com seus cenários mirabolantes e efeitos especiais); e nossos velhos conhecidos “Hair”, “Chicago e South Pacific”.
Claro que há oásis nesse deserto. Mas quem, por aqui, se interessaria por peças como “The 39 Steps” (que une Hitchcock com Monty Pyton), “Blythe Spirit “(uma saborosa comédia de Noël Coward) ou ainda a comédia de humor negro de Yasmina Reza, “God of Carnage”? Estão longe de cruzar o oceano e aportarem em terras tupiniquins.
Todos são espetáculos deliciosos, que ficam ainda melhores lá, em seu idioma original, com as piadas locais e elencos que dominam não apenas seu ofício, mas principalmente o contexto cultural em que a obra se insere e os públicos aos quais é dirigida. Por aqui, cabe a nós tentarmos formar plateias para um teatro brasileiro. Claro que não apenas de autores ou temas nacionais, mas produzido com brasilidade e olhos voltados não para o próprio umbigo, mas para a própria realidade cultural. E deixemos a Broadway com seu franchising onde está.

Gerson Steves tem 25 anos de atividades teatrais na cidade de São Paulo, tendo atuado como diretor, dramaturgo, ator, produtor e professor. Também é um grande fã de teatro musical.

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por Luciana Chama - Los Angeles

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Capital mundial do cinema, Los Angeles é conhecida mundo afora pelos seus astros do cinema e da televisão. Quando a palavra teatro é mencionada, imediatamente nos remetemos à Broadway de Nova York, e não à cidade dos anjos.
Entretanto, o mundo da performance em Los Angeles é ferveção pura, repleta de atores premiados e consagrados em cartaz, com teatros espalhados por toda a cidade. Afinal, entre um filme e outro, atores e diretores precisam continuar trabalhando.
Localizado no coração de Hollywood, o Pantages Theatre é palco dos maiores espetáculos e um dos principais cartões postais da cidade. O teatro foi inaugurado em 1930 e já teve como dono Howard Hughes - aquele interpretado por Leonardo Di Caprio no filme "O Aviador". Com 2.600 lugares, é o melhor lugar para conferir musicais da Broadway. As montagens californianas de "O Rei Leão" e "Wicked" foram um sucesso estrondoso e ficaram em cartaz por dois anos consecutivos cada um; só neste ano, o teatro já abrigou "Rent", "Mamma Mia", "Dirty Dancing", "Legally Blond" e "Fiddler on the Roof".
O "competidor" do Pantages
fica a cargo do Ahmanson Theatre: mais charmoso, mais glamoroso, localizado no coração cultural de Downtown chamado Los Angeles Music Center, que é considerado um dos três maiores centros da arte performática dos Estados Unidos. Lá, você assiste não só a musicais, mas a clássicos da literatura americana e europeia, óperas e concertos. Katharine Hepburn, Elizabeth Taylor, Rex Harrison e James Earl Jones são algumas das estrelas que fizeram história nesse palco, que foi inteiramente remodelado em 1995, e hoje tem capacidade para 2.000 lugares. "Minksy's", "Ain't Misbehavin", o balé hispânico Dame Edna, a comédia musical "Monty Python's Spamalot", "Mary Poppins" e "Dreamgirls" são os espetáculos que já dão o que falar na programação de 2009.
O bacana dos grandes teatros é o programa de incentivo ao público: em épocas de grande volume de espetáculos na agenda, as casas oferecem pacotes com preços especiais por meio de assinaturas. São muitas as opções de entretenimento por aqui, logo as produções apostam na fidelização da plateia, estimulando o interesse de fã por fã ao divulgar sempre uma novidade atraente.
Para quem gosta de um ambiente mais intimista e com uma programação "cool" e "cult", a Geffen Playhouse é boa pedida. Ao lado da Ucla, com apenas 525 assentos e muito, muito charmosa, a casa oferece variedade de estilos e textos de autores premiados. Vira e mexe é possível esbarrar numa celebridade de Hollywood pelo hall do local, mas principalmente é o ambiente adequado para assistir a uma dessas estrelas brilharem ao vivo. "Time Stand Still", texto do vencedor do prêmio Pulitzer Donald Margulies, sobre o drama de jornalistas cobrindo a guerra do Iraque, está em cartaz com Alicia Silverstone e Anna Gunn.
Portanto, caros, não é só de cinema que vive a cidade dos anjos - além dos grandes filmes e seriados de televisão, a cidade produz um bom teatro, com um cenário cultural vibrante, cheio de talentos e boas surpresas. A ideia de vir me fazer uma visita, agora, tornou-se ainda mais excitante?

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Adriano Fanti, nosso correspondente em Londres fala sobre como a crise econômica mundial tem afetado as produções em West End

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O cenário teatral da cidade de Buenos Aires se identifica com a ética e a estética independente desde muito tempo: uma lógica que destila exuberâncias de produção, espaços e ofertas, que a coloca como uma das principais no mundo, junto a Nova York, Londres e Paris.

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