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Como um decreto publicado há mais de 30 anos garantiu o respeito a todos os profissionais da arte

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Com mais de 40 anos de grandes produções, o TCP (Teatro de Comédia do Paraná), criado em 1963, com a finalidade de orientar e coordenar as atividades teatrais do Teatro Guaíra, em Curitiba (PR), escreve uma parte significativa da história teatral (e cultural) da capital paranaense. Nomes reconhecidos nas artes cênicas fizeram a história do grupo e escreveram a sua própria biografia dentro dele. Tudo começou com um curso de teatro de rápida duração, ministrado por Jaime Barcelos e Gianni Ratto, em 1962. Devido à repercussão e sucesso desta primeira iniciativa, o Teatro Guaíra criou, em 1963, o primeiro grupo oficial de teatro no Paraná. O convidado para idealizar e dirigir o TCP foi o diretor e ator Cláudio Corrêa e Castro, que trouxe de São Paulo os profissionais Nicete Bruno, Paulo Goulart, Leonor Bruno e Sílvia Paredo para atuar na companhia e lecionar no Curso Permanente de Teatro, curso este, organizado, naquele mesmo ano, pelos esforços de Armando Maranhão com o apoio de Pascoal Carlos Magno, de Fernando Pessoa - superintendente do Guaíra naquela época - e do governador, Ney Amintas de Barros.
Assim começou a trajetória do TCP. Desde a montagem de "Um Elefante no Caos", a primeira peça, escrita por Millôr Fernandes, com direção de Cláudio Corrêa e Castro, em 1963, foram encenadas mais de 70 produções, formadas novas plateias e criado um importante mercado de trabalho para diretores, atores, atrizes, cenógrafos, figurinistas, iluminadores, músicos, artistas visuais, pesquisadores, coreógrafos e técnicos. A diversidade das propostas levadas à cena pelo TCP foi apontada em montagens de autores clássicos da dramaturgia, como Shakespeare, Tchekov e Ibsen; a encenação de textos de autores contemporâneos como Max Frisch, Heiner Muller, Augusto Boal e Dalton Trevisan; além da encenação de textos de teatro infantil de Maria Clara Machado e Oscar Von Pfhull.
Entre as produções memoráveis apresentadas no auditório Salvador de Ferrante, destacam-se "A Megera Domada" (1964), de Shakespeare; e "Schweyk na Segunda Guerra Mundial" (1967), de Brecht - ambas com direção de Cláudio Corrêa e Castro. Destaque também para "O Contestado" (1979), texto de Romário Borelli, com direção de Emilio Di Biasi; "Zumbi" (1984), de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, com direção de Oraci Gemba; "Colônia Cecília" (1984), texto de Renata Pallottini e direção de Ademar Guerra; "A Vida de Galileu" (1989), de Brecht com direção de Celso Nunes; "As Bruxas de Salém" (1990), de Arthur Miller e direção de Marcelo Marchioro; "New York por Will Eisner" (1990), de Edson Bueno; e "A Aurora da Minha Vida" (1997), de Naum Alves de Souza e direção de Gabriel Vilella.
Depois da montagem de "Aurora da Minha Vida", o TCP parou por três anos e, somente em 2000, produziu "Os Incendiários", texto de Max Frisch e direção de Felipe Hirsch. Novamente outra parada: foram mais quatro anos sem produção. Em 2004, em comemoração aos 40 anos do projeto, foi apresentada a peça "Medeamaterial", de Heiner Müller, com direção da teatróloga uruguaia Mariana Percovich.
Em 2005, a encenação de "Pico na Veia", dirigido por Marcelo Marchioro a partir de contos de Dalton Trevisan, é apresentada em Curitiba e no interior do Estado. Já em 2006, o diretor carioca Moacir Chaves é convidado para montar a peça "Memória", com elementos da obra "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, que ficou um mês em cartaz, em Curitiba, e uma semana, no Rio de Janeiro.

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Curiosidades
Momentos importantes para o grupo também ficaram marcados na história da cidade. Por exemplo, a compra de 1.200 ingressos da peça "O Patinho Preto", em 1967, pelo comerciante Adolfo Mazer, para distribuição aos fregueses em sua loja; uma apresentação exclusiva e gratuita da peça "O Santo Milagroso", de Lauro César Muniz e direção de Cláudio Corrêa e Castro, para religiosos católicos e evangélicos, com debate ao final do espetáculo; e uma reunião do então superintendente do Teatro Guaíra, Octávio do Amaral, com líderes universitários para discussão de um plano de aumento de frequência dos estudantes ao teatro, em 1966.

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Donos da história
A história do TCP fez parte da vida de muitos profissionais do teatro paranaense que, até hoje, guardam com carinho na memória a época considerada como de ouro para o Estado. É como conta Miguel Esposito, hoje com 64 anos, primeiro sonoplasta do TCP, onde também foi ator. Ele relata ter vivido com muita intensidade o grupo desde a sua concepção. "Tenho boas recordações da primeira peça, que fez grande sucesso: ‘Um Elefante no Caos'. Outra que marcou foi ‘A Mejera Domada'. É emocionante lembrar os aplausos da plateia", orgulha-se. Esposito explica que no Paraná daquela época, assim como no restante do Brasil, havia muitos espetáculos circenses e a escola dos atores era o próprio circo. "Os artistas não eram selecionados por serem conhecidos. Eles ficavam sabendo da montagem da peça, faziam o teste e eram selecionados conforme o seu desempenho. Todos faziam teatro com garra. Apesar de muitos hoje não trabalharem na área, outros tantos se tornaram conhecidos após entrar no TCP", explica.
As apresentações do Teatro de Comédia do Paraná atualmente não ocorrem com a mesma frequência e até perderam a grande projeção. "A falta de patrocínio fez o TCP perder aquele ritmo, mas esperamos que, como em outros países, a cultura no Brasil ganhe o seu devido valor e essa história continue a ser contada", explica Esposito que hoje é funcionário do Museu da Memória de Curitiba, onde está guardada a história do TCP. Mesmo não vivendo mais naquela época, o sonoplasta e ator ainda fala sobre os velhos tempos. "Recebemos visitantes de todo o País e do exterior. Eles ficam encantados com os artigos do TCP", conclui.
A trajetória do TCP é responsabilidade de muitos artistas, de técnicos e de pesquisadores: Cláudio Corrêa e Castro, Nicette Bruno, Paulo Goulart, Lala Schneider, Joel de Oliveira, Armando Maranhão, Miguel Esposito, Sale Wolokita, Maurício Távora, Danilo Avelleda, Sinval Martins, José Maria Santos, Celina Alvetti, Yara Sarmento, Rogério Dellê, Fernando Zeni, Wilde Quintana, Felix Miranda, Edson D'Ávila, Delcy D'Ávila e Sansores França foram alguns dos precursores.

 

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altCriado como o maior teatro brasileiro da época, o Castro Alves hoje foca na capacitação de profissionais baianos pela sobrevivência da arte.

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