0
0
0
s2smodern

Festival traz peças que reinventam o teatro infantil

0
0
0
s2smodern


Vou te contar uma estória

Era uma vez Bia Bedran, uma menina que nasceu para fazer as crianças sonharem e hoje ensina a quem quiser a viver feliz para sempre

Foi em Niterói (RJ),  no dia 26 de novembro de 1955, que Bia Bedran nasceu, ou melhor, estreou. Isso porque, desde criança, assim bem pequenininha, a menina, criada em família de artistas, começou a escrever músicas e poemas, coisas que, geralmente, toda criança que lê e se diverte com a literatura faz. “No início, eu não sonhava em ser artista da infância. Eu era criança e gostava de ler. Gostava de contar, fabular o que eu lia. Às vezes, só para mim mesma, para o meu fazer, gostava de me trabalhar artisticamente”, relembra Bia.
Na adolescência, assim já mais mocinha, seu pai sempre a inscrevia em concursos de música e só revelava a idade da filha depois, para ela não ser desclassificada. Nessa fase, Bia fazia sua arte pensando nos adultos. Fazia sambas, toadas, músicas políticas e concorria com adultos em festivais de canção. Tanto que foi muito influenciada por João de Barro, Braguinha, Lamartine Babo e pelas músicas da Rádio Nacional. Precoce, não?
Sua carreira começou para valer em 1973, aos 17 anos (nem era gente grande ainda a menina). Na época, sua família montou um grupo de teatro para crianças. As apresentações aconteciam no quintal da casa de uma tia, daí o nome Quintal Teatro Infantil. “Eu descobri a minha vocação quando tive a sorte de trabalhar no grupo que minha família criou. Éramos, ao todo, 23 entre irmãos e primos da família Martini Bedran. Minha mãe escrevia peças para crianças e a família toda trabalhava. Minha avó fazia os vestidos e meu avô ficava na bilheteria. Eu, com 17 anos, era uma das mais velhas do grupo. Nesse tempo foi que eu descobri esse mundo”, diz Bia.
A arte de contar estórias veio naturalmente com o convívio com as crianças. Foi nessa época que a jovem atriz entrou no mundo mágico da contação de estórias. “Aí descobri que contar estória era diferente do que interpretar. Toda vez que eu entrava na voz da narradora, percebia que a criançada prestava mais atenção. A criança tem uma paixão pela narração, pelo texto contado. Quando eu narro, quando eu falo do personagem, eu sinto uma atenção maior”, explica.
Hoje, já com 54 anos, Bia Bedran tem sete livros publicados, oito discos e um DVD. A artista já compôs mais de 300 canções. Dessas, 100 músicas foram gravadas. A atriz também foi apresentadora de televisão. De 1986 até 1993, Bia esteve à frente do “Conta Conto”, na antiga TV Educativa, atual TV Brasil. Em 1988 e 1989, apresentou o programa ecológico “Baleia Verde”,  na extinta TV Manchete, além de “Lá vem História”, na TV Cultura e “Alfabetização no Canteiro de Obras”, pela Fundação Roberto Marinho.
Os planos dessa eterna menina, no entanto, não param por aí. Seu próximo passo pode ser na telona. “Só falta agora cinema. Não vou morrer sem fazer um filme, trabalhar atuando ou ser uma narradora, mas é um sonho ainda. Minha filha acabou de se formar em cinema e a gente tem conversado muito sobre isso ultimamente”, vibra.

“QUEM CONTA
ESTÓRIA FAZ O OUTRO
IMAGINAR”
Professora concursada desde 1985, Bia dava aulas de musicalização para as crianças do CAP (Colégio de Aplicação) da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). No início, ela só ensinava música. Com o tempo, o hábito de ler e contar estórias invadiu suas aulas. Foi então que descobriu que bom mesmo era cantar e contar ao mesmo tempo. “São quase 25 anos como professora na Uerj. No decorrer do tempo, eu já era contadora de estórias na vida artística e fui incorporando a coisa do ensinar música para as crianças, mas ensinar também o fazer, o contar, música dentro de uma estória, estória com canções e fui mudando a minha metodologia que era só de ensino músical, para fazer estórias junto com canções”, explica.
Nessa época, Bia Bedran foi chamada para dar aulas em uma oficina chamada A Arte de Cantar e Contar Estórias, para professores e educadores. Seu desejo é passar para outros essa nobre arte. “De lá para cá já se passaram 14 anos, sempre às segundas e quartas à noite. Essa oficina eu trabalho com educadores, não mais crianças, e ensino esse ‘making-off’ de como é contar estórias e como construir pequenos adereços, entre outras coisas”, revela.
Segundo Bia, o contar estórias revela uma troca de experiências muito interessante. Naquele curto espaço de tempo, que pode durar dez, 20 minutos ou até meia hora, o intérprete só tem ali a sua  palavra, a sua voz, a sua mão, os seus olhos, e, principalmente, a sua expressão. Todo o resto é imaginado por quem ouve. “Ensinar a contar estória nem é tanto a coisa do ator, não é ensinar a interpretar, mas ensinar a amar esse fazer tão atávico ao homem, que é esse momento que você senta, conta coisas reais e imaginárias. Às vezes você conta um fato que realmente aconteceu”.
A educadora se mostra preocupada com a perda do hábito de conversar e acredita que o mundo hoje precisa pisar no freio. “As pessoas hoje, nessa vida muito corrida, têm pouco tempo para contar suas histórias pessoais. Em um tempo mais antigo, as pessoas tinham esse hábito naturalmente, não existia aulas de contar estória. Não tinha televisão, as pessoas faziam uma roda  e o que existia era a troca de experiências, o ato de contar para o outro o que você viveu”, relembra.
Essa falta de tempo também tem prejudicado a formação das crianças. Bia comenta que elas precisam ler mais e não somente assistir televisão ou navegar pela internet. “A criança também entra num frisson de cada vez mais aprender conteúdo e mais conteúdo. Esse é o momento em que o professor para e conta uma estória. É o momento do sonho. A criança viaja como se fosse uma parada no tempo, não uma parada onde ela fica vazia, uma parada ativa. A alma está em repouso mais ela está atenta, está sentindo”, ensina.
A professora revela, ainda, dicas para quem também quer viver essa experiência. “Quem quer contar e viver de estórias tem que descobrir o que quer ser. Quer ser um educador ou contar profissionalmente em eventos de literatura? É preciso descobrir que sente prazer com isso e depois focar. Trabalho em hospitais e, diferentemente de atuar em um palco, em todas essas modalidades tem que amar contar estórias, tem que gostar da literatura, de transformar o texto lido em um texto coloquialmente falado. Treinar em casa, montar um repertório e fazer cursos”, explica mais uma vez a professora que sabe que, no final de toda estória tem que ter um “e viveram felizes para sempre”. E quem quiser que conte outra.

0
0
0
s2smodern

Luciano Alabarse revela a real motivação do Porto Alegre em Cena

Por Rodrigoh Bueno

Antes de começar a entrevista com o Jornal de Teatro, o organizador do Porto Alegre em Cena recebe alguns convidados no belo casarão que serve como sede de produção do evento na capital gaúcha. Exibe, orgulhoso, as lembranças dos amigos que já passaram por ali e se lembra dos que ainda estão chegando. “Avisa a Ná que não poderei buscá-la no aeroporto, mas nos vemos sem falta no almoço”, diz para uma de suas produtoras entre um convidado e outro.
Este é Luciano Alabarse, criador, idealizador e agregador do Porto Alegre Em Cena. “Faço questão de receber pessoalmente os artistas que vêm para o festival, e não por qualquer papel institucional. Gosto de receber as pessoas, possibilitar os encontros e firmar os laços que me prendem a cada um deles: essa paixão louca e inquietante pela arte”, disse.
E é fato. Na noite anterior, acompanhei Luciano aguardando pacientemente para entrar no camarim de três jovens atores pernambucanos e possibilitar a eles mais um encontro.

As Damas de Caio
O espetáculo era “Monólogos de Caio F.”, uma junção de três peças de duas companhias pernambucanas. No palco, os atores Antonio Rodrigues, Henrique Ponzi e Marcelo Francisco. Um Caio Fernando Abreu apresentado com um sotaque diferente e ousado – por levar para a terra do autor os traços contemporâneos dos jovens atores. Além de Luciano, estava na plateia a irmã do autor e o diretor Gilberto Gawronski, que por mais de dez anos (e em vários idiomas) interpretou o brilhante texto “Dama da Noite”, de seu amigo Caio.
Tensão dupla na sala de espetáculo: de Gawronski na expectativa de ver um texto tão íntimo com um novo intérprete; e do ator, frente à sua grande referência. “Gilberto confessou que estava com muito medo e ansioso para ver a montagem. ‘Sei de cada palavra, cada pausa. Conheço tudo neste texto’ confessou ele a mim”, disse Luciano.
“No intervalo ele me abraçou e desabou de tanto chorar. Era o texto ganhando nova vida. As palavras do nosso amigo Caio transformando novamente”, completa Luciano.
O ator Marcelo Francisco, que vive em Garanhuns, Pernambuco, revela que soube da presença ilustre minutos antes de entrar em cena. “Fiquei muito nervoso e tive medo de não conseguir realizar meu trabalho como queria, mas a emoção parece ter sido positiva e o resultado foi elogiado, inclusive pelo Gilberto, que me disse que Caio ‘abençoaria’ a minha interpretação. A irmã do autor também usou essas palavras e disse que ele certamente estava por ali muito emocionado com esse encontro. Para mim foi um momento marcante que com certeza vou carregar por toda a minha vida artística”, conta.

Rejeição

Se os encontros ocasionados pelo festival são marcantes para algumas pessoas, outras preferem concentrar o tempo criticando a programação e comparando-a com os demais festivais. Luciano explica que o Porto Alegre em Cena tem uma meta: oportunizar diálogos, seja entre os artistas, entre artista e público; artista e cidade; e espetáculos e crítica. “Quando uma peça causa rejeição na plateia nossa meta também foi alcançada. É importante ter contato com diferentes referências para se escolher qual mais se relaciona com você. Isso agrega maturidade e desperta um olhar diferente para o mundo das artes”, conta.
Para ele, o mesmo acontece com a classe artística da cidade, que “divide com esses grandes nomes do teatro mundial o padrão vibratório que domina a cidade durante o festival”.

“E as novidades?”
O que esperar de novo em um festival já consolidado e respeitado no universo cênico? Continuidade – ou melhor, seguir desconstruindo as bases do teatro. “A única obrigação que temos na hora de montar a grade é com a consistência do projeto, a humanidade presente na atuação. Não sei muito bem da programação dos outros festivais e nem procuro saber. Ninguém concorre. Muito pelo contrário, o sucesso de diferentes eventos acaba reverberando em todos”, revela.
Ao que tudo indica, Luciano Alabarse já deu os primeiros passos para a próxima edição do Porto Alegre em Cena. Aliás, os dá todos os dias. “Me orgulho dos amigos que fiz durante a minha vida artística e é deles que busco as referências e a paixão para essa loucura de festival. Cada ano somos novos amigos e espero que possam aproveitar os dias em Porto Alegre. Eu e minha equipe queremos, apenas, fazer diariamente o melhor festival possível”, revela.

0
0
0
s2smodern



Doutores da Alegria comemora aniversário, em setembro, com inauguração de espaço multimídia para eventos e programação especial

Por Pablo Ribera

A ONG Doutores da Alegria, grupo de artistas especializados na arte do palhaço em hospitais, completa 18 anos de trabalho no próximo dia 28 de setembro. Para comemorar a data, a organização inaugurou o espaço Doutores da Alegria e realiza uma programação especial, com espetáculos, palestras e outras atividades durante todo o mês.
O espaço, localizado na sede da ONG, na rua Alves Guimarães, em São Paulo, conta com uma sala multimídia, galpão para cursos e eventos, além de uma loja com produtos personalizados dos “besteirologistas”. “É um espaço aberto a todo o público, aonde se pode encontrar um pouco do nosso trabalho”, disse o coordenador de Criações Artísticas, Angelo Brandini.
O espaço Doutores da Alegria conta, ainda, com uma Midiateca, também presente no Recife (PE) e em Belo Horizonte (MG). Elas têm como objetivo apoiar cursos e atividades desenvolvidas por suas diferentes áreas e projetos, disseminar informações, estimular a pesquisa e atender ao público em geral. “Pode-se ver, também, os arquivos dos Doutores da Alegria ao longo destes 18 anos e o trabalho desenvolvido por nós”, explicou Brandini, acrescentando que o acervo é constituído por livros, relatórios, folhetos, projetos, vídeos, fotos, artigos de jornais e outros documentos produzidos ou coletados pelos Doutores, e cujos temas tenham como foco o palhaço.
A criação do espaço reflete o caminho traçado pelos Doutores da Alegria ao longo de sua trajetória. A ONG foi pioneira em levar o teatro e a arte do palhaço aos hospitais. “Realizamos cerca de 700 mil visitas aos hospitais durante estes 18 anos. Também influenciamos o poder público com programas de saúde e conseguimos passar a filosofia que temos, da delicadeza e respeito com o próximo”, afirmou Brandini.
Idealizado por Wellington Nogueira, o grupo cresceu e, hoje, trabalha também em outros setores e atividades, como espetáculos, cursos, palestras e debates. “Temos uma atuação fora dos hospitais muito grande. Passamos, também, a propagar a arte do palhaço”, disse Brandini. A organização articula atualmente uma rede de cerca de 250 grupos de atuação semelhante, o programa “Palhaços em Rede”, que inclui oficinas de orientação gratuitas.
Programação
de aniversário

São Paulo

Palestra Boas Misturas – 17/9
      A atriz e palhaça Thais Ferrara e a psicóloga Morgana Masetti narram suas histórias dentro da Doutores da Alegria e falam sobre as boas misturas que médicos e “besteirologistas” provocam no hospital.
Horário: 19h30
Doutores Contam Causos – 24/9
   A ONG prepara uma edição especial com os palhaços circenses Picolino e Picoli.
Horário: 19h30

Recife e Belo Horizonte

A sede mineira recebe uma “Palhestra”, no dia 18, às 19h: “Doutores Contam Causos”, no dia 25, às 19h, e o “Menor Festival de Palhaços Mineiros do Mundo”, no dia 26, às 17h. No Recife, no dia 27, acontece a 1ª edição de Doutores Contam Causos, às 19h.
As inscrições podem ser feitas pelo site: www.doutoresdaalegria.org.br

Página 3 de 5