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Uma das últimas matérias a ficarem prontas desta edição do Jornal de Teatro foi justamente a que teria um destaque na capa, falando de Marília Pêra. Como apresentar a atriz sem cair nos elogios clichês ou nas centenas de adjetivos que já foram atribuídos a ela nas últimas décadas? Como dissociar o papel de fã e escrever sobre uma mulher que conquistou o respeito de uma nação com trabalho e paixão? A única solução que encontrei foi agarrar características de dois grandes homens também presentes nesta edição: a verdade de Oduvaldo Vianna Filho e a ousadia de Ivan Cabral.
Vianinha não tinha medo de ser autêntico. Seu trabalho é ousado e moderno, exatamente por mostrar a complexidade que há nas simples relações. Familiares, amorosas, trabalhistas e outras tantas. Essas relações que podem até nos tirar o sono, mas que enchem nossos pulmões antes do grito. Um Vianinha de outros tempos seria Ivan, principalmente quando se vê a paixão com que fala das dificuldades que o seu Satyros enfrentou durante os já 20 anos de história e da frequente renovação que alimenta o grupo. É ousadia insistir na arte que acredita? Pois se a resposta for afirmativa, estes são três belos exemplos de que "remar contra a maré" pode mudar a história de muita gente.
Estivemos com Marília Pêra na coletiva de lançamento da temporada paulista de seu espetáculo, "Gloriosa". Como o musical já teve temporada no Rio de Janeiro, as informações sobre a peça já estavam disponíveis antes mesmo da atriz subir ao palco acompanhada dos atores Guida Vianna e Eduardo Galvão. Mas a presença da atriz falando da construção de mais uma personagem vale este editorial.
Como se conversássemos com uma iniciante, ela diz que possui muitas limitações em cena e por isso busca tanto aperfeiçoamento a cada nova mulher que apresenta ao público. Diz ter medo que sua voz, seus gestos e sua imagem se repitam em diferentes peças e que ainda sonha com um grande papel no cinema. Deixa escapar que, mesmo com a concentração quase exagerada no palco, por hora se perde entre as gargalhadas do público e tenta arrancar ainda mais. Enfim, mostra-se uma atriz "orgânica" como outras tantas. Os experientes Eduardo Galvão e Guida Vianna também mostram que mesmo estando ao lado de um dos nomes mais fortes da dramaturgia brasileira, ainda sentem uma grande insegurança todos os dias ao pisar no palco.
Isso porque "é sempre diferente a maneira que você vê, da maneira que os outros vão ver", diz Marília. Pois quando não houver insegurança em relação ao que o público vai pensar, não há espetáculo, Marília. Quando não houver mais o que se questionar, não há dramaturgia, Vianinha. Quando não houver mais tesão, não há teatro, Ivan.

Rodrigoh Bueno
Editor do Jornal de Teatro

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Cláudio Magnavita

No fechamento desta edição, chegaram a nossa redação os ecos do movimento dos funcionários da Rede Municipal de Teatro da Prefeitura do Rio, que estão há mais de dois meses sem receber salários.

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